Deputado do PS questiona Governo sobre troço ferroviário Pocinho – Barca d’Alva

O socialista reconhece que o troço ferroviário possui “um enorme potencial e uma mais-valia para reforçar o vale do Douro enquanto destino turístico internacional”.

O deputado socialista Santinho Pacheco questionou o Governo sobre a possibilidade da reabertura da Linha do Douro, no troço entre Pocinho e Barca d’Alva, no distrito da Guarda, e a sua recuperação para fins turísticos.

Numa pergunta dirigida ao ministro do Planeamento e das Infraestruturas, o deputado eleito pelo círculo eleitoral da Guarda questiona se “no momento em que se inicia a discussão pública do Programa Nacional de Investimentos 2030 para definir as prioridades infraestruturais estratégicas, vai o Governo incluir o caso da Linha do Douro, numa perspetiva de ligação ao Centro da Península Ibérica, Porto, Salamanca, Madrid”.

“Numa região de elevado potencial turístico, em que história, património, cultura e natureza são decisivos, a coesão territorial e social com o interior profundo não justificam esse investimento na reabertura de toda a Linha do Douro numa perspetiva transfronteiriça?”, acrescenta Santinho Pacheco.

O deputado lembra que a Linha do Douro, no troço entre Pocinho e Barca d’Alva, nos concelhos de Vila Nova de Foz Côa e de Figueira de Castelo Rodrigo, no distrito da Guarda, “foi desativada e encerrada ao tráfego ferroviário há mais de 20 anos, encontrando-se hoje num estado de absoluto abandono”.

Conta que a linha férrea ladeia a margem esquerda do rio Douro “no seu trecho mais bonito e espetacular do ponto de vista paisagístico, no qual se integra a foz do rio Côa e o seu património arqueológico”.

“É ainda a única via-férrea do país que atravessa um território que integra dois Patrimónios Mundiais da UNESCO, o Douro Vinhateiro e o Parque Arqueológico do Vale do Côa”, sustenta.

O socialista reconhece que o troço ferroviário possui “um enorme potencial e uma mais-valia para reforçar o vale do Douro enquanto destino turístico internacional”.

Santinho Pacheco diz que a destruição da linha do Douro “tem de ser travada” e “é necessário que se evite o seu desmantelamento, travessa a travessa, carril a carril, pedra a pedra”.

No documento, lembra que já solicitou ao Ministério da Cultura o início do processo de classificação da linha férrea, sustentando que “tem um indiscutível interesse turístico” e, por isso, é “um valor económico para uma região em constante despovoamento”.

Refere ainda que, na Feira Internacional de Madrid (Espanha), o presidente da Diputación de Salamanca anunciou que o troço espanhol dessa ferrovia vai ser recuperado para fins turísticos, daí que faça todo o sentido “que a linha do Douro seja vista como um projeto único, quer no território português, quer no troço espanhol”, e que o Governo “assuma a responsabilidade de recuperar aquela via-férrea para fins turísticos”.

“Vamos olhar para a linha do Douro como um projeto âncora do desenvolvimento desse território tão abandonado e esquecido, que ajude a viabilizar outros investimentos privados e públicos, como é o caso do Museu do Côa?”, desafia.



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