Covid-19: Movimento quer fronteira de Vilar Formoso – Fuentes de Oñoro aberta a residentes

Um movimento de cidadãos pediu ao Governo que reveja o encerramento de fronteiras entre Portugal e Espanha e que permita a circulação, aos residentes, entre Vilar Formoso e Fuentes de Oñoro.

A Frente Cívica de Vilar Formoso – Fuentes de Oñoro enviou uma carta ao Presidente da República, ao primeiro-ministro, ao ministro dos Negócios Estrangeiros e ao ministro da Administração Interna a apelar que o fecho das fronteiras não fosse feito para os residentes nas duas localidades fronteiriças.

Na missiva a que hoje a agência Lusa teve acesso, é proposta uma revisão dos termos do fecho das fronteiras entre os dois países, permitindo que os residentes naquelas duas localidades “possam continuar a circular nos dois lados da fronteira e prossigam a vida normalmente”.

No documento, refere-se que as duas comunidades raianas “são comunidades híbridas que há muito são totalmente interdependentes uma da outra, pelo que, para continuarem a existir, não podem estar privadas entre si”.

“Acho que é do consenso geral que as fronteiras devem estar fechadas, porque o nosso país vive uma situação de grande calamidade (…). No entanto, achamos que nós, como residentes, e dada a grande interdependência que existe a nível económico e social em toda a raia, deveríamos ter direito a circular como sempre fizemos”, disse hoje à Lusa a porta-voz do movimento cívico.

Segundo Olga Afonso, a impossibilidade de circulação entre Vilar Formoso e Fuentes de Oñoro deixou ambas as povoações “numa situação a nível económico e social muito frágil”.

“É preciso não esquecer que há negócios, tanto de um lado como do outro, que se especializaram nos vizinhos, na comunidade vizinha, e essas pessoas estão a ser altamente prejudicadas”, justifica.

Para a porta-voz e membro fundador da Frente Cívica Vilar Formoso – Fuentes de Oñoro, não será a mobilidade raiana, relacionada com deslocações para compras, abastecimentos de combustível ou idas a farmácias, que fará aumentar os números dos infetados por covid-19.

A responsável defende “medidas diferenciadas” e “sensatas”, lembrando que na primeira vaga da pandemia as duas localidades sofreram “um duro golpe a nível económico e social”.

“O Governo está a ser muito insensato e está a ignorar por completo os apelos”, disse, indicando que vários autarcas, incluindo o de Almeida, apelaram para que sejam revistas as medidas aplicadas nas fronteiras terrestres.

Na quinta-feira, quando foi feita a renovação do estado de emergência, Olga Afonso esperava que os residentes nas zonas raianas fossem considerados “cidadãos de exceção”, mas tal não aconteceu.

“Nós deveríamos ser considerados também cidadãos de exceção. Isto é uma zona de exceção. Tem uma dinâmica muito própria, que não tem nada a ver com as outras dinâmicas que se passam no resto do país”, alega.

No caso de Vilar Formoso – Fuentes de Oñoro, os dois povos são “como que uma única comunidade” e ali existe “uma fluidez geográfica” que não existe em outros locais.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.368.493 mortos no mundo, resultantes de mais de 107,7 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 14.885 pessoas dos 778.369 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.



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