Covid-19: Associação empresarial da Guarda prevê dificuldades no comércio

Segundo o presidente da associação empresarial da Guarda, “se já havia dificuldades, neste momento são muito maiores”, porque “as lojas foram obrigadas a fechar” devido à covid-19.

O presidente do Núcleo Empresarial da Região da Guarda (NERGA) alertou hoje para a possibilidade de alguns comércios e pequenas empresas da região não conseguirem ultrapassar as dificuldades económicas causadas pela pandemia da covid-19.

“Estou a ver com muita, muita preocupação, a questão do comércio local e muito mais o comércio de rua, que está elencado, no fundo, em pequenas empresas, que têm um trabalhador ou dois ou três”, disse hoje Pedro Tavares à agência Lusa.

Segundo o presidente da associação empresarial da Guarda, “se já havia dificuldades, neste momento são muito maiores”, porque “as lojas foram obrigadas a fechar” devido à covid-19.

Na opinião de Pedro Tavares, para o Estado existem portugueses de “primeira e portugueses de segunda” e, “neste momento, até portugueses de terceira”, sendo os de “terceira” os proprietários das pequenas lojas comerciais “que não têm nenhum apoio” financeiro.

“Nós temos o negócio que é obrigado a fechar, como é o restaurante, como é a loja, e a seguir o empresário não tem qualquer apoio do Estado, quando esse próprio empresário paga impostos, desconta para a Segurança Social. Isto não é minimamente justo”, justifica.

O presidente do NERGA reconhece que desde o início da declaração da pandemia já “houve melhoria das medidas que o Governo tomou, mas ainda são insuficientes”.

Pedro Tavares disse desconhecer casos de comerciantes que tencionam não reabrir os estabelecimentos após o surto pandémico, mas prevê que tal possa acontecer.

“Eu acho que as pessoas ainda não acreditaram e ainda não sabem qual é a dimensão do que nós temos. Se a pandemia se prolongar muito além dos três a quatro meses, eu penso que pode por em risco muitas, muitas empresas e muitas empresas podem não abrir” as portas, vaticina.

O comércio deve ser acarinhado, porque com o eventual fecho de portas dos estabelecimentos “a vida do centro das cidades pode alterar profundamente”, considera o responsável.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 905 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram quase 46 mil.

Em Portugal, segundo o balanço feito na quarta-feira pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 187 mortes, mais 27 do que na véspera (+16,9%), e 8.251 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 808 em relação a terça-feira (+10,9%).

Dos infetados, 726 estão internados, 230 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 43 doentes que já recuperaram.




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