Ciclo Portugal Inteiro debateu inovação e digitalização no Interior

A terceira conferência do Ciclo Portugal Inteiro, organizada pelo Jornal Económico e pela Altice, decorreu ontem, dia 1 de outubro, no Instituto Politécnico da Guarda.

A conferência “Inovação como estímulo para o desenvolvimento da Região Centro” decorreu ontem à tarde, dia 1, no auditório da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico da Guarda (IPG).

Organizada pelo Jornal Económico e pela Altice, a conferência debruçou-se maioritariamente sobre três grandes aspetos: a inovação, o investimento e o desenvolvimento do Interior.

No primeiro painel, subordinado ao tema “A importância da imprensa regional”, Luís Baptista-Martins, diretor do jornal “O Interior”, refere que “jornalismo é fazer perguntas, é ir falar com as pessoas, é procurar saber quais são as histórias e é contá-las” com seriedade e rigor. Luís Baptista-Martins acrescenta ainda que a imprensa regional tem o papel de ser “a memória do nosso povo, a memória do nosso território“, na tentativa de passar uma mensagem. O jornalismo deve contribuir para o progresso e desenvolvimento da região, caso contrário “quanto mais pobre forem os jornais, mais pobre será a democracia”, alerta o diretor do jornal “O Interior”.

Para José Manuel Brito, diretor do Jornal “Porta da Estrela”, a imprensa regional “tenta dar voz a quem não a tem e transmitir um pouco do que se passa no concelho e na região”, de modo a que o Interior chegue “aos grandes centros de decisão”. Relativamente às dificuldades que se sentem nas redações, José Manuel Brito realça a importância dos assinantes e o “esforço diário e contínuo” que se sente nas imprensas. Por sua vez, Liliana Carona, diretora do “Notícias de Gouveia”, acredita que “os jornais nacionais dão cada vez menos destaque ao que se faz a nível regional”, no entanto, é necessário “dar plateia ao que é feito aqui”, adianta. Apesar da precariedade dos recursos humanos nas redações, é possível a imprensa regional destacar-se, tal como aconteceu com o “Notícias de Gouveia”, que ganhou o Prémio Gazeta de Imprensa Regional, prémio ganho pelo jornal “O Interior”, em 2001.  

O segundo painel, dedicado ao tema “O valor da inovação no interior”, Luís Figueiredo, da MagicKey, falou sobre a inovação dos projetos desenvolvidos para pessoas com limitações e o percurso da empresa ao longo dos anos. O papel da MagicKey foi “lutar contra a maré e lutar para que as coisas acontecessem”. Rui Pereira, da Mestre Clique, destaca a dependência e a capacidade de desenvolvimento dos seus próprios produtos. Com sede na cidade da Guarda, mas com principais clientes nas grandes cidades, Rui Pereira afirma que é necessário “provar que somos melhores” em relação a outras do país, sediadas nas metrópoles.  

Segundo Rui Pereira, para investir no Interior “ou em qualquer outra parte do mundo” é importante ser “resiliente o suficiente para levar a ideia até ao fim. Mais do que ter ideias é coloca-las em prática e torná-la rentável a nível de negócio, de modo a conseguir suportar os custos e haver retorno financeiro”. Tiago Santos, da empresa Muvu Technologies, acredita que é fundamental combater as dificuldades em fixar talento no Interior, sendo importante “criar condições para reter e segurar alunos no Interior, transmitir as vantagens em trabalhar no Interior” e, a nível de Politécnicos, “devem apostar na comunicação às empresas”, fomentando assim um trabalho conjunto com várias instituições.

O último painel teve como tema “Tecido empresarial e digitalização” onde Ricardo Almeida, da Coficab, líder na produção de cabos para o setor automóvel, afirmou o interesse por parte da empresa “em continuar a investir na investigação e na inovação na Guarda”.

No final da sessão, foi colocada a pergunta “a digitalização e a indústria 4.0 é uma revolução ou uma evolução?”, sendo que a resposta final foi “a evolução”.




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