Câmara de Seia não compreende razões para saída de meios aéreos

A Proteção Civil anunciou que os dois meios aéreos pesados de combate a incêndios florestais sediados em Seia vão ser reposicionados em Castelo Branco por razões de segurança.

A Câmara de Seia disse ontem não compreender a motivação nem a forma como foi tomada a decisão da deslocalização dos aviões pesados estacionados no aeródromo local e lamenta a “desconsideração institucional” da Proteção Civil e do Governo.

A Proteção Civil anunciou que os dois meios aéreos pesados de combate a incêndios florestais sediados em Seia, distrito de Guarda, vão ser reposicionados em Castelo Branco por razões de segurança.

“Por razões de segurança, os dois aviões pesados anfíbios sediados no Centro de Meios Aéreos de Seia, no âmbito do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais, serão reposicionados esta terça-feira no Centro de Meios Aéreos de Castelo Branco”, precisou a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), numa nota enviada à agência Lusa.

A ANEPC justifica a deslocalização das aeronaves com um conjunto de situações reportadas pelo operador, nomeadamente o abatimento da pista, com claros reflexos na segurança de voo e no trabalho diário das equipas afetas aos meios aéreos.

A Câmara de Seia, presidida por Carlos Filipe Camelo, refere, em comunicado enviado à Lusa, que não compreende “a motivação nem a forma como é tomada uma decisão de deslocalização dos aviões anfíbios pesados da base em que se encontram, detida pelo município de Seia”.

A autarquia é “a única entidade que tem suportado ao longo de mais de duas décadas os custos desta operação, sem qualquer tipo de apoio do Governo e das entidades envolvidas relativamente ao uso daquelas instalações”, esclarece.

O município também lamenta “a ausência de qualquer informação oficial até hoje”.

“No dia em que os aviões se retiram, o município foi confrontado, e pela primeira vez, através de comunicação remetida pelo gabinete do secretário de Estado da Proteção Civil, da saída dos referidos meios. Uma desconsideração institucional sem precedentes da ANEPC e do Governo, que consideramos absolutamente incompreensível e indesejável”, lê-se.

A Câmara de Seia contrapõe que as “inconformidades” em causa, “com particular destaque para o abatimento da pista, são, há muitos anos, conhecidas de todas as entidades que participam na operação, sendo que nunca condicionaram, por essas razões, a realização da mesma”.

Segundo o comunicado, “embora o Governo manifeste disponibilidade para reverter esta situação logo que as condições de segurança da operação estejam garantidas, a câmara municipal não está disponível para assumir, de forma isolada, por via do orçamento municipal, os custos inerentes às melhorias que se revelem necessárias fazer, considerando que o Estado tem essa obrigação, pois o agravamento de alguns dos problemas enunciados decorrem exclusivamente do uso intensivo daquele equipamento, que há mais de 30 anos serve de base aos meios pesados de combate a incêndios, numa operação que é nacional”.

A autarquia de Seia adianta que já pediu uma reunião com caráter de urgência ao ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e que aguarda resposta.




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