Misericórdias lançarão projeto para tornar comunidades amigas dos idosos

A União das Misericórdias Portuguesas (UMP) vai apresentar até ao final de março o projeto de qualificação das comunidades amigas das pessoas idosas que pretende aumentar o apoio domiciliário e retardar a institucionalização dos mais velhos.

O que se pretende, segundo disse hoje, em Boticas, o presidente da UMP, Manuel de Lemos, é uma mudança de paradigma em que o apoio domiciliário vai desempenhar um papel central no apoio aos mais idosos.

O programa, que está a ser preparado e quer envolver toda a sociedade portuguesa, desde autarcas, universidades, jornalistas e até o Presidente da República, vai ser apresentado até ao final do primeiro trimestre de 2017.

O grande objetivo é, de acordo com Manuel Lemos, “ajudar a qualificar a vida”.

O responsável falou “num problema muito sério” e frisou que as tendências de envelhecimento em Portugal “são no mínimo assustadoras”.

“Portugal é um dos países onde se envelhece mais e se envelhece mais depressa. Isto porque envelhece no topo mas também na base porque temos uma taxa de natalidade muito baixa”, referiu.

Este é, na sua opinião, um “problema nacional que envolve toda a gente”, que “não basta atirar para cima do Governo” e para o qual “não há uma receita única”.

Uma das principais linhas do projeto é “mudar o paradigma do apoio domiciliário”, apoiando mais e melhor os utentes, com mais serviços como os de saúde, de forma a retardar o mais possível a necessidade de institucionalização dos mais velhos.

“Ainda hoje a grande maioria do apoio domiciliário é de cinco dias por semana e então ao sábado e ao domingo não comem, não se limpam, ficam sozinhos?”, questionou.

O projeto visa ainda pôr as novas tecnologias ao serviço dos idosos, de forma a, por exemplo, lutar contra a solidão e juntar as famílias recorrendo, por exemplo, à Internet.

O programa quer envolver as autarquias para, por exemplo, estas também apostarem em melhores transportes e acessibilidades para que os mais velhos se possam deslocar com mais facilidade.

“Nós temos que tornar as comunidades mais amigas e mais seguras”, salientou.

Manuel de Lemos falava após uma reunião do secretariado nacional da UMP, que decorreu em Boticas, distrito de Vila Real, onde se abordaram também temas nacionais como a questão do aumento do salário mínimo e da TSU (Taxa Social Única).



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