Providência cautelar para travar abate de árvores no parque municipal da Guarda

Um grupo de cidadãos da cidade da Guarda anunciou hoje que interpôs uma providência cautelar para travar o abate de árvores no parque municipal, previsto no âmbito das obras de requalificação do espaço.

A providência cautelar foi apresentada no Tribunal Administrativo de Castelo Branco no dia 06 de setembro e foi “liminarmente aceite no dia 16 de setembro”, refere o grupo em comunicado hoje divulgado.

“Sem qualquer sinal de intenção de alteração do projeto de abate e com contrato de adjudicação já assinado, esta era a única solução viável para parar o processo e estender o prazo para uma discussão que nunca foi efetuada, sob pena de ficarmos privados de um valioso património por uma opção estética questionável por parte de um grupo de arquitetos que, com certeza, não fruem nem conhecem a fundo o nosso parque municipal e a nossa cidade”, sustentam os subscritores.

No mesmo documento referem que o parque municipal da Guarda “deve ser requalificado e ser provido dos equipamentos, manutenção e vigilância adequados”.

“Sabemos que umas poucas árvores devem ser abatidas por motivos de segurança e sanidade, mas em número ínfimo relativamente ao proposto”, defendem.

Está previsto abater “entre 20 e 30” árvores, segundo um “desenho do projeto” a que o grupo de cidadãos teve acesso.

“Plantar ou abater uma árvore em espaço urbano deve merecer, pois, extrema cautela e reflexão por parte dos municípios, não sendo de descurar ouvir a opinião da população que é, efetivamente, a real proprietária e beneficiária de tal património, bem como de instituições com caráter científico que poderão contribuir para a melhor tomada de decisão, se para tal forem chamadas a pronunciar-se”, esclarecem no documento.

O mesmo grupo de cidadãos da Guarda aponta que “as árvores do parque municipal são ainda a memória viva do passado da centenária Mata Municipal que foi sendo destruída ao longo de décadas, pela natureza e pelo homem”.

“O ar saudável da Guarda deve-se em muito às espécies de árvores há muito escolhidas para o parque, uma escolha que tem permitido o relativo baixo nível de pólenes no ar e a boa oxigenação desejada”, lê-se na nota.

No documento é ainda manifestada “profunda preocupação e discordância pela forma como o processo de abates tem vindo a decorrer, bem como pela progressiva destruição de um património natural construído ao longo de muitas dezenas de anos que, a menos que seja revista a prática ora adotada, conduzirá a ter de se esperar mais algumas décadas até que a floresta urbana de novo se desenvolva”.

O grupo, que também tem a circular uma petição pública na internet, que já reuniu cerca de 990 assinaturas, refere ainda que “outras iniciativas de mobilização popular que visem informar a população para esta causa serão desenvolvidas e comunicadas em tempo oportuno”.




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