Alunos do Fundão estiveram à conversa com um astronauta da Estação Espacial Internacional

Quinze alunos do Agrupamento de Escolas do Fundão concretizaram esta quarta-feira o sonho de falarem com um astronauta, numa ligação para a Estação Espacial Internacional que transformou dez minutos da vida destes jovens num momento “único e irrepetível”.

“Foi uma experiência excelente, de verdade, nunca pensei que ia ter oportunidade de falar com um astronauta e sei que dificilmente se repetirá. Isto é mesmo algo que vai ficar para a vida”, resumiu no final Rute Dionísio, uma das alunas que participou nesta iniciativa, promovida com o apoio técnico da Delegação da Beira Baixa da Rede de Emissores Portugueses.

O contacto foi realizado a partir dos Enxames, uma pequena localidade do concelho do Fundão, onde foram encontradas as melhores condições para que a comunicação pudesse ser estabelecida sem interferências.

À hora prevista (09h38), Scott Tingle, um dos astronautas que está na Estação Internacional Espacial, respondeu à chamada num tom claro e audível, que pôs fim aos receios prévios e deu lugar à adrenalina das perguntas, feitas a ritmo de corrida para que as respostas pudessem chegar antes do “OVER” final.

Da voz dos alunos ouviram-se questões sobre a alimentação, a roupa, o quotidiano, as experiências mais difíceis a bordo ou sentimentos que se vivem ao observar a Terra desde o espaço.

De resposta pronta, Scott Tingle foi satisfazendo a curiosidade e explicou que come essencialmente comida empacotada, vegetais e fruta desidratada, que usa roupa normal, que a experiência mais perigosa que viveu foi a da saída da Estação Espacial e que foi “absolutamente espetacular” ver a Terra de outra perspetiva.

Também esclareceu que as plantas a bordo crescem no sentido da luz e achou graça à questão sobre os procedimentos a seguir quando alguém vomita devido aos enjoos provocados pela gravidade.

“Respondeu-me que acontece muitas vezes e que não é muito difícil de limpar, porque eles até já estão habituados. Basicamente, disse que têm de isolar o líquido e colocá-lo dentro de garrafas para depois trazerem para a terra”, referiu Afonso Lopes, que em pequeno acalentava o sonho de ser astronauta.

De pés bem assentes na terra, Pedro Paiva quer seguir engenharia mas, independentemente do rumo profissional, salienta que nunca vai esquecer este dia: “Foi claramente um evento inesquecível”.

Uma opinião partilhada pelo Rodrigo Mota, pelo Diogo Silva, pela Beatriz Pereira e demais colegas, para quem este dia foi “uma cena mesmo muito fixe”.

Balanço positivo que se repete na voz da professora que coordenou o projeto, Teresa Ramos, que no final assumia a emoção pelo sucesso alcançado, destacando o desafio que constituiu para todos, em particular para os alunos.

Frederico Gaiaz, rádio amador a quem coube iniciar a ligação, já tinha participado numa ação semelhante na Alemanha e não hesitou em apoiar esta candidatura que se constituiu como mais um acontecimento “bastante interessante e muito desafiante”.

Bernardo Lucas, rádio amador e aluno de Engenharia Eletromecânica que se associou à iniciativa para controlar as frequências dos rádios e para adequar as antenas à rota da Estação Espacial Internacional, também destacou a oportunidade de ter participado numa ação tão rara.




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