Guarda reforça centralidade entre o Atlântico e a Europa com a inauguração do Porto Seco

Porto Seco Inauguracao

Nova infraestrutura logística reforça a ligação ferroviária aos portos atlânticos, abre novas oportunidades às empresas do interior e posiciona a Guarda como plataforma estratégica de distribuição de mercadorias para Espanha e a Europa.

O Porto Seco da Guarda foi inaugurado na passada sexta-feira, 23 de outubro, no terminal ferroviário de mercadorias da cidade, na sequência de um investimento de cerca de quatro milhões de euros da APDL – Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo, entidade concessionária da infraestrutura.

A cerimónia contou com a presença do ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, do presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, e do presidente da APDL, João Pedro Neves, entre outras entidades.

Considerado um projeto estratégico para o desenvolvimento económico da região, o Porto Seco pretende reforçar a competitividade das empresas do interior, facilitando as operações de importação e exportação e melhorando a ligação entre a ferrovia, os portos marítimos e os mercados internacionais.

“É uma obra absolutamente estratégica para esta região e que tem um único propósito, o de servir as empresas da Guarda para que fiquem mais eficientes na sua atividade do dia a dia e consigam competir no mercado global de forma mais forte para poderem crescer em volume de carga”, afirmou João Pedro Neves, presidente da APDL.

A nova infraestrutura integra a estratégia Portos 5+ do Governo, que visa fomentar a atividade portuária nacional através do desenvolvimento de plataformas logísticas complementares aos portos marítimos.

O Porto Seco da Guarda permitirá transferir para o interior algumas operações habitualmente realizadas nas instalações portuárias, contribuindo para aliviar as limitações de expansão do Porto de Leixões, condicionadas pela malha urbana dos concelhos de Matosinhos, Porto e Maia.

Na cerimónia, o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, destacou a importância da infraestrutura para o reforço da rede logística nacional e para a expansão da atividade portuária.

“A Guarda passa a funcionar como ponto de concentração e distribuição da carga ligada a Leixões, assumindo uma nova centralidade na logística nacional e reforçando a capacidade de penetração no mercado ibérico, desconcentrando operações do espaço portuário e aumentando a capacidade para captar carga ferroviária”, sublinhou.

O governante acrescentou que, apesar de estar localizada na Guarda, a infraestrutura integra a área de influência logística do Porto de Leixões, salientando que “um porto competitivo não termina no cais, prolonga-se pelo território”.

A ligação à fronteira de Vilar Formoso assume igualmente particular relevância, permitindo reforçar o eixo logístico em direção a Espanha e ao restante mercado europeu, bem como a integração da região no Corredor Atlântico.

A primeira fase do projeto incluiu a construção de um edifício administrativo destinado aos serviços aduaneiros e à realização de inspeções físicas, bem como a extensão das vias-férreas existentes, de forma a permitir a receção e operação de comboios de mercadorias com 750 metros de comprimento.

O Porto Seco da Guarda terá capacidade para movimentar mais de 45 mil contentores de 20 pés por ano, reforçando as condições para o transporte ferroviário de mercadorias e para o desenvolvimento de serviços logísticos de valor acrescentado.

A gestão da infraestrutura ficará a cargo da Yilport, empresa de origem turca que já opera nos portos de Leixões, Lisboa e Aveiro, bem como em Espanha.

A aposta na intermodalidade entre a rodovia e a ferrovia pretende também contribuir para as metas internacionais de descarbonização, promovendo soluções de transporte de mercadorias mais eficientes e sustentáveis.

Para o presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, a inauguração representa um momento importante para o futuro económico do concelho e para a capacidade de atração de investimento.

“É uma grande inauguração para o futuro da Guarda, para captar mais investimentos e a atenção pública nacional”, afirmou o autarca.

Sérgio Costa destacou ainda as novas oportunidades que a infraestrutura poderá proporcionar às empresas do interior, nomeadamente através do acesso a serviços aduaneiros que facilitem as operações de importação, exportação, agregação e desagregação de mercadorias.

“O mar chegou hoje à Guarda”, declarou, numa referência ao reforço da ligação da cidade aos portos marítimos e às redes internacionais de transporte de mercadorias.


Um projeto estratégico para o interior do país

O projeto do Porto Seco da Guarda foi reconhecido pelo Conselho de Ministros, em dezembro de 2021, como o primeiro Porto Seco do país.

Em março de 2022, foi publicado o decreto-lei que transferiu para a APDL a gestão do terminal ferroviário de mercadorias da Guarda, com o objetivo de transformar a cidade numa âncora logística fundamental no interior de Portugal.

A inauguração concretiza uma etapa importante deste processo, reforçando o posicionamento da Guarda enquanto plataforma de concentração e distribuição de mercadorias e potenciando a ligação das empresas regionais aos mercados nacionais e internacionais.

Com esta infraestrutura, a Guarda procura afirmar-se como um ponto estratégico nas cadeias logísticas ibéricas e europeias, criando condições para reforçar a competitividade empresarial, atrair investimento e valorizar a localização geográfica do território.


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