“O ‘capitulo’ Hotel Turismo está encerrado após um conjunto de ações durante os últimos anos que, por esta ou outra razão, não houve condições para serem concluídas. Hoje, é um momento importante, porque celebramos um contrato de arrendamento por 50 anos, com opção de compra do imóvel, uma novidade relativamente àquilo que foram os procedimentos anteriores”, disse Carlos Abade, presidente do Turismo de Portugal, à agência Lusa.
O responsável falava no final da cerimónia de assinatura do contrato, realizada hoje de manhã junto ao edifício projetado por Vasco Regaleira no centro da cidade e inaugurado em 06 de julho de 1947.
O Grupo Lince Hotels foi o vencedor do concurso público lançado pelo Turismo de Portugal em 31 de março para a reabilitação e requalificação do edifício, com opção de compra, a partir do quarto ano.
Segundo o procedimento, o vencedor vai pagar uma renda mínima de 3.858,34 euros, sendo a duração do arrendamento de 50 anos.
Se acionar a opção de compra, o que poderá fazer a partir do quarto ano do arrendamento, o adjudicatário terá de pagar um pouco mais de 6,8 milhões de euros ao Turismo de Portugal, proprietário do edifício.
Para Carlos Abade, “a solução está encontrada, está contratualizada e agora é o tempo de fazer o investimento”.
“Esperamos que no prazo de dois anos a obra esteja concluída e a inauguração do hotel possa ser uma realidade”.
Na cerimónia, Domingos Correia, administrador e CEO do Grupo Lince Hotels, adiantou que a requalificação da antiga unidade hoteleira deverá custar “entre 15 a 20 milhões de euros”.
“Não posso desvendar muito, porque ainda não temos os valores aproximados, mas poderão andar muito perto disso”.
O projeto vai ser feito pelo arquiteto Carvalho Araújo, autor da adaptação para hotel do Convento de Santa Clara, em Vila do Conde, também gerido pelo Grupo Lince Hotels.
“O objetivo é reabrir o Hotel Turismo daqui a dois anos e a ideia é, talvez, apostar numa unidade de cinco estrelas, com spa com alguma dimensão e duas piscinas, tendo como público-alvo o mercado espanhol e norte-americano”, que não estão a olhar o valor que paga, mas estão a olhar a qualidade do serviço.
O empresário admitiu ter ficado muito surpreendido pelo edifício e por o hotel estar fechado há 16 anos.
“Eu vim cá e achei isto é um crime, olhando para o potencial do turismo em Portugal, que está num crescimento fantástico. O edifício em si tem um carisma”.
Domingos Correia admitiu também que “um hotel só para a Guarda não iria lá, terá de ter ferramentas e atividades que ocupem os hóspedes, para se conseguir americanos, espanhóis”.
Já Sérgio Costa, presidente da Câmara da Guarda, lembrou que houve cinco tentativas para reabrir o Hotel Turismo, que foram “cinco desilusões”.
“O hotel não reabre por decreto, tem, pela primeira vez, um nome, um contrato e uma data. É a prova de que a pressão da Guarda teve efeito”.
Segundo o autarca, “faltava um hotel de bandeira na cidade mais alta de Portugal”.
Também presente na cerimónia, Pedro Machado, secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, recordou que este foi um processo no qual “atravessou um bocado”, mas que agora o assunto está encerrado.
“O que estamos hoje aqui a fazer é a assinatura do contrato com a empresa que vai, a partir de agora, apresentar o projeto à Câmara Municipal, que já o está a desenhar, e a partir daqui lançar a obra física para a recuperação do hotel”.
O governante congratulou-se ainda por ter ouvido do empresário “uma ambição que ultrapassa aquilo que era, talvez, a expectativa criada para este hotel”.
“No fundo, é dotá-lo de mais infraestrutura e, eventualmente, reequacionar espaços, transformá-los para maior comodidade, conforto e resposta àquilo que o mercado hoje exige”.






