Emília Barbeira agradece aos ESPECIAIS que levaram e levam o nome da Altíssima pelos corredores nacionais ou do mundo. A autora é também uma ESPECIAL, que muito faz pela Guarda que tanto ama.
Emília Barbeira é uma fonte de luz, que tem o condão de transformar a penumbra numa alvorada.
José Saramago escreveu: “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”. Ao ler o livro ficamos com a certeza de que a autora não se limitou, ao longo do seu percurso, e tendo em conta os vários papéis sociais que ocupou e ocupa, apenas a ver.
Mateus Fortunato, autor da capa do livro, está de parabéns, uma vez que ainda tornou mais apelativa a obra. Magnífica Pintura! Excelente interpretação!
Adélia Prado diz-nos que nós todos padecemos de uma angústia imensa; uma das primeiras angústias humanas, que é a angústia do tempo, da finitude, nós começamos e acabamos, somos finitos, nós passamos. “A obra de arte não sofre esse desgaste, ela está fora do tempo”. É superior ao tempo. Somos uns afortunados por poder apreciar a obra Ecos da Montanha Mágica e tomá-la como nossa. Um livro é amor! Um livro é terapia! Um livro é vida!
A escrita, para Emília Barbeira, tem uma função didáctica e moralizadora. Assim, esforça-se por transmitir informação pertinente sobre os ilustres de modo a não os deixar esquecer. Segundo Emília Barbeira, “a história tem de ser contada e recontada”.
Para Emília Barbeira é importante valorizar a cidade altaneira, pois é nela que se constrói a vida daqueles que cá moram.
É urgente amar o que é nosso, porque o que é nacional é bom, como Camões, tantas vezes, afirmou ao longo de Os Lusíadas. É urgente aprender com os mais sábios e experientes. É um conselho do épico, no Canto X.
O livro também conta com o texto “O outro lado de mim/o outro lado de nós”, vencedor da 25ª edição do Prémio Dr. João Isabel, no género dramático. O texto tem, apenas, quatro personagens, a saber: Camões, o maior poeta português de todos os tempos; Evelina Coelho, uma das mais importantes pintoras, que conseguiu projectar-se além-fronteiras; o Dr. João Isabel, o médico manteiguense, que dá nome ao prémio, e Aberto Caeiro, heterónimo de Fernando Pessoa. O texto/peça de teatro foi apresentado na Guarda, Teatro Municipal da Guarda, e na vila de Manteigas.
O título Ecos da Montanha Mágica remete, por um lado, para um lugar íngreme e, por outro, para audição, ressonância de um som.
Tendo em conta que a Guarda é uma cidade que se ergue nos píncaros da Serra, então, a montanha mágica é a cidade da Guarda. Os ecos são as repercussões daqueles que cá vivem ou já viveram e, como tal, deixaram e deixam a sua pegada, perpetuando-se, assim, ao longo de gerações.
A autora tenta, por isso, dar voz a um conjunto de personalidades que, directa ou indirectamente, estão ligadas à cidade e a mostraram ao mundo.
A protagonista é Evelina Coelho e é, sobretudo, pela sua mão que vão surgindo diferentes Anjos da Guarda que, de alguma forma, marcaram e marcam de forma indelével o rumo da nossa urbe em diferentes áreas: pintura, escultura, política, filosofia, ciência, astronomia, literatura….
Daí que surjam nomes que já percorreram ou, ainda, percorrem o mundo, revelando o seu saber inenarrável!
Numa época dominada pela celeridade e pelo corre-corre, Evelina Coelho, ao longo do seu discurso, vai chamando a atenção para outros valores: o respeito pela arte em geral, a valorização do outro, a solidariedade…
Afinal, como diz Eduardo Lourenço, no livro da autora, as minhas mãos vão ao encontro do outro. Os meus olhos fixam-se no outro. Os meus passos avançam para o outro. Os meus gestos procuram o outro. O meu amor, também, se projecta no outro. Enfim, eu sou, assombrosamente, o outro!
Outra vertente que Evelina Coelho não descora é o sonho. Ela própria apresenta-se ao longo da acção como uma sonhadora e desafia tudo e todos a fazê-lo. Afinal, ser descontente é ser homem, como afirma, também, Fernando Pessoa.
A sua vontade de vencer leva-a a confrontar-se com a mãe e a dizer-lhe que seguir o Curso de Belas Artes era a sua meta e nada nem ninguém a faria desistir, apesar dos muitos obstáculos a vencer, como os poucos recursos económicos da família, que a ausência do pai agudizou!
Os obstáculos pareciam não cessar, já que aqueles que querem viver para e da arte encontram, sempre, muitas barreiras. Infelizmente, os parcos recursos das famílias não lhes permitem grandes aquisições.
A arte acaba por ser um luxo, só ao alcance de alguns! Ainda assim, nunca se deu por vencida e as exposições como pintora dos pássaros e das mulheres sucederam-se umas após outras, bem como os prémios. Na realidade, o seu nome e a sua obra constam em livros nacionais e internacionais. Evelina, surge aos olhos do leitor fazendo jus às palavras de Miguel Torga quando afirma: “Somos nós que fazemos o destino. /Chegar à Índia ou não/É um íntimo desígnio da vontade. /Os fados a favor/E a desfavor”.
O alvedrio de promover a cultura local leva-a a aceitar o desafio de Nuno de Montemor, um escritor de Quadrazais, que tão bem espelhou as dinâmicas da nossa urbe. Assim, Evelina ilustrará a Lenda da Guarda para que se torne mais atractiva, pois todos devem conhecer as origens do nome da cidade mais alta de Portugal.
Este desafio impele-a para um outro: solicitar ao senhor Presidente da Câmara da cidade que ofereça uma edição aos alunos para que saibam valorizar o património cultural e literário da altaneira. São ecos de outros tempos, mas demasiado importantes para coevos e vindouros. Não haverá futuro se recusarmos o presente.
Na terceira parte do livro, a propósito do evento “Ecos Literários por terras de sua Alteza Real, D. SANCHO I”, cujo orador é Eduardo Lourenço, Evelina e outros participantes vão divulgar alguns escritores e ilustres da cidade Sentinela.
Todos, sem exceção, têm orgulho em apresentar os Especiais da urbe, pois contribuíram para o seu crescimento económico, social e cultural.
D. Sancho, enquanto fundador, aproveita o momento para revelar alguns segredos, como a mudança de nome, após a morte do irmão. A sua graça passou a ser Sancho, ficando para trás o nome Martinho, por ter nascido a 11 de novembro.
Em suma, o livro pretende destacar, de forma muito humilde, alguns dos Especiais, embora houvesse muitos outros dignos de ser lembrados, uma vez que há homens e mulheres inenarráveis.
Ecos da Montanha Mágica é uma obra digna de registo, pois tem a capacidade de traduzir e refletir o que é NOSSO, OS NOSSOS. Também é um livro repleto de afectos e só com afectos se pode mudar, numa primeira instância, a vida de cada um para, posteriormente, atingir as nossas famílias, as nossas comunidades e o mundo em geral.
Quando o autor definhar, quando o homem-mulher de carne e osso cessar e dele nada mais restar do que o pó, a autora viverá e marcará presença em cada parágrafo, em cada palavra e em cada ponto final. A criatividade nascida num determinado momento, a imaginação alimentada, ou o sonho metamorfoseado estarão vivos.
A autora leva o leitor a visualizar cenários que ela pinta com palavras, conseguindo deslocar o leitor para dentro da obra.
Emília Barbeira apela para que “escrevam, mesmo que seja para a vossa secreta arca, como tantas vezes fez Fernando Pessoa”! A autora também defende que “a escrita é, sem dúvida, um dos muitos registos que ajudam a fixar a realidade, pois só o que fica preto no branco se perpetua ad eternum”.
Ao ler o livro, Ecos da Montanha Mágica, apaixonei-me por ele, e, independentemente da vontade da autora, passou a ser meu.
Emília Barbeira transporta na alma uma enorme grandeza. A escritora Emília Barbeira está, seguramente, de parabéns!
Ecos da Montanha Mágica

O livro, da professora Emília Barbeira, é uma homenagem aos da Guarda. A autora revela um incomensurável sentimento de pertença pela Guarda. Fala da Guarda com enorme carinho e amor. A obra foi apresentada no mês de Maio, na Escola Secundária da Sé.





