Criar Memórias

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A declamação é o oposto da leitura “mecânica”. Declamar é interpretar.

Declamar é uma arte que precisa de técnicas de dicção e entoação, mas sobretudo de emoção. De modo a transmitir a mensagem e a provocar sentimentos nos ouvintes, é necessário que o declamador esteja ligado emocionalmente aos poemas. Sentir os poemas, é o critério principal. A poesia transforma a sombra em luz!

Eugénio de Andrade, no poema “Urgentemente”, diz-nos que são urgentes a construção e a disseminação do amor, da amizade, da felicidade, da alegria, do sorriso, da fraternidade e da claridade. É essencial demolir, por serem discordantes com o amor, determinadas palavras. É relevante acabar com o silêncio, a solidão e a guerra, venerar a presença do outro, e celebrar a paz e a harmonia.

Na qualidade de técnico superior do Município da Guarda, oriento as seguintes Oficinas de Declamação: “As Palavras que nos Beijam”, com os alunos do 7ºA, 7ºB e 9ºE da Escola Carolina Beatriz Ângelo; “Livres na Prisão”, com um grupo de reclusos do Estabelecimento Prisional da Guarda; e “Pelo Sonho é que Vamos”, com utentes dos Centros de Dia de Arrifana e de Casal de Cinza.

As Oficinas de Declamação são fruto de protocolos de colaboração entre o Município da Guarda, os Agrupamentos de Escolas, o Estabelecimento Prisional da Guarda e os Centros de Dia. Na Guarda, alunos, idosos e reclusos declamam poesia.

Dia 21 de Janeiro de 2025, os utentes do Centro de Dia de Casal de Cinza, visitaram os estúdios da Rádio Altitude e do Jornal O Interior, tendo gravado, em declamação partilhada, o poema “Autopsicografia”, de Fernando Pessoa.

No dia 23 de Janeiro, dia em que comemoramos o nascimento de Luís Vaz de Camões, no âmbito da iniciativa “Ler Camões”, uma experiência colectiva de leitura promovida pela Rede de Bibliotecas Escolares, a Biblioteca Escolar Aristides Sousa Mendes associou-se ao evento, envolvendo alguns dos alunos do 7ºA e 7ºB que declamaram poemas camonianos ao som da guitarra de Manuela Vaz, aluna do 7ºB. No final da actividade, em declamação partilhada, interpretámos o poema “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. A actividade inseriu-se na candidatura bePLAN25. Segundo a Rede de Bibliotecas Escolares, esta candidatura “centra-se no apoio, através de pequenos financiamentos, à execução dos planos de atividades das bibliotecas, com especial destaque, nesta edição, para o desenvolvimento de ações e iniciativas que, centradas nas comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões, sublinhem o seu legado para a língua e cultura portuguesas”.

Dia 11 de Fevereiro, o primeiro grupo de utentes do Centro de Dia de Arrifana, gravou, aos microfones da Rádio Altitude, o poema “Amor é fogo que arde sem se ver”, de Luís Vaz de Camões.

No dia 18 de Fevereiro, o segundo grupo de utentes do Centro de Dia de Arrifana gravou o poema “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, de Luís Vaz de Camões.

No dia 18 de Março, os alunos do 9º E, da Escola Carolina Beatriz Ângelo gravaram o poema “Cântico Negro”, de José Régio.

Dia 21 de Março, e de forma a comemorar o Dia Mundial da Poesia, os alunos do 7ºA declamaram poemas de autores consagrados, na Biblioteca Escolar Aristides de Sousa Mendes. O resultado foi surpreendente e, por isso, ficámos muito orgulhosos. As alunas Carolina e Manuela, do 7ºB, acompanharam a declamação ao som das guitarras!

No dia 27 de Março, os alunos do 7ºB declamaram poemas de autores consagrados, na sala “Tempo e Poesia”, da Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço. As declamações foram, uma vez mais, acompanhadas pelo som das guitarras da Carolina e da Manuela, alunas do 7ºB.

Dia 31 de Março, no âmbito da Semana da Leitura 2025, os alunos do 9ºE declamaram poemas de autores consagrados, na Biblioteca Escolar Aristides de Sousa Mendes.

No dia 22 de Maio, alunos do 7º A, gravaram, aos microfones da Rádio Altitude, o poema “Camões dirige-se aos seus contemporâneos”, de Jorge de Sena.

Dia 25 de Maio, no Salão de Festas da Arrifana e no âmbito do 25º aniversário da Liga de Solidariedade Social e Melhoramentos “Os Amigos da Arrifana”, decorreu a segunda apresentação pública da Oficina de Declamação “Pelo Sonho é que Vamos”, com os utentes do Centro de Dia da Arrifana. Uma palavra especial para o Grupo de Cantares da Arrifana que prontamente aceitou o desafio de nos acompanhar, assim como para o músico Alexandre Almeida que acompanhou, nas teclas, as declamações.

No dia 29 de Maio, os alunos do 7º B, gravaram o poema “Poeta Castrado, Não!”, de Ary dos Santos.

Dia 11 de Junho, inaugurámos, na Escola Carolina Beatriz Ângelo, a Pintura no Azulejo Comemorativa dos 500 Anos de Luís Vaz de Camões. A Pintura no Azulejo, que contou com a participação especial do aluno do Curso de Artes, Diawara, é fruto do trabalho e dedicação das turmas do 7ºA e 7ºB. Luís Vaz de Camões não foi unicamente o autor de “Os Lusíadas”, deixou-nos um legado extraordinário e universal que moldou a língua e a identidade de Portugal.

Dia 27 de Julho, no Salão do Centro de Dia de Casal de Cinza, realizar-se-á a segunda apresentação pública da Oficina de Declamação “Pelo Sonho é que Vamos”, com os utentes do Centro de Dia de Casal de Cinza. O músico Alexandre Almeida acompanhará, nas teclas, as declamações.

A Oficina de Declamação “Livres na Prisão” terá duas apresentações públicas, com datas ainda por agendar, uma no parlatório do Estabelecimento Prisional da Guarda e a outra, no Teatro Municipal da Guarda. Os espectáculos, à imagem do que acontece nas actuações do Grupo de Intervenção Cultural da Guarda “Reflexo Imperfeito”, juntarão poemas, músicas, vozes, teclas e cordas.

De salientar que o processo é sempre o mais importante, as apresentações públicas, apesar de constituírem momentos marcantes para os participantes, apenas têm a função de outorgar ainda mais dignidade às Oficinas de Declamação. Os participantes são fantásticos, sendo que a motivação e o compromisso estão sempre presentes.

As Oficinas de Declamação contaram e contam com poemas de autores tão especiais, como sejam: Alexandre O’Neill, Alice Ruiz, Almada Negreiros, Almeida Garrett, Álvaro de Campos, Ana Luísa Amaral, Antero de Quental, António Aleixo, António Gedeão, António Lobo Antunes, António Ramos Rosa, Ary dos Santos, Augusto Gil, Cecília Meireles, Clarice Lispector, Ernesto de Melo e Castro, Eugénio de Andrade, Fernando Guimarães, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Gonçalo Tavares, Gustavo Bécquer, Jorge de Sena, Jorge Luís Borges, José Gomes Ferreira, José Luís Peixoto, José Monteiro, José Régio, José Saramago, Luís Vaz de Camões, Luiza Neto Jorge, Manuel António Pina, Maria Teresa Horta, Mário Cesariny, Mário de Sá Carneiro, Mário Quintana, Mia Couto, Miguel Torga, Natália Correia, Nuno Júdice, Olavo Bilac, Pablo Neruda, Raul de Carvalho, Reinaldo Ferreira, Ricardo Reis, Rosa Lobato Faria, Ruy Belo, Sebastião da Gama, Sophia de Mello Breyner Andresen, Valter Hugo Mãe, Vinícius de Moraes e Zeca Afonso.

A Poesia é uma arma social que fomenta o pensamento crítico, transforma os vassalos em cidadãos e faz-nos abandonar o açaime. A poesia promove a literacia, a inclusão, a igualdade, a liberdade e o pensamento crítico. As Oficinas de Declamação constituem autênticos espaço de revelação, de libertação e de superação. Estimulam as capacidades criativas individuais e colectivas dos participantes, as competências pessoais e de interacção em grupo, sendo potenciadora de novas experiências emocionais e artísticas. É relevante conceber novos artistas! É fundamental criar memórias!

Alexandre Gonçalves


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