Rádio Altitude transmite a reportagem mais completa do dia da “Revolução dos Cravos”

Altitude

Escuta coletiva e presencial do projeto “… e temos o POVO…” vai realizar-se na tarde deste domingo, dia 25 de janeiro e tem entrada livre.

É caso para dizer que nunca o 25 de Abril se voltou a escutar assim desde 1974. Com o alto patrocínio da Presidência da República, a viagem a Portugal da reportagem radiofónica mais completa do dia da “Revolução dos Cravos” vai começar no próximo 25 de janeiro, na Rádio Altitude.

Os sons da Liberdade vão ocupar a casa da rádio local mais antiga do país para uma escuta presencial e coletiva. «Trata-se de uma visita à rádio, como se fôssemos ao cinema ou ao teatro, para escutar em conjunto, na redação e nos estúdios, gravações históricas em bobinas originais», adianta Adelino Gomes, um dos repórteres no terreno em 1974 e que a 25 de janeiro estará na Guarda. Pela primeira vez desde a sua emissão original há mais de meio século, o trabalho “… e temos o POVO…”, dos jornalistas Pedro Laranjeira (1945-2015), Paulo Coelho e Adelino Gomes, voltará a estar “no ar”, na íntegra, na referida sessão de escuta coletiva com a presença dos autores. Depois de ter sido apresentada no Quartel Carmo, por altura das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, a reportagem vai dar a volta ao país sendo «o espelho sonoro que nos faz (re)entrar no dia que mudou as nossas vidas».

Na página oficial das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril é explicado que «do baú da rádio renascem do silêncio as fitas originais onde ficou gravado o dia 25 de Abril de 1974. Uma oportunidade única para escutar o som da liberdade falada e inaugurada nas ruas pelas palavras do povo, dos militares e dos jornalistas. Do Golpe à Revolução, do Terreiro do Paço ao Largo do Carmo, do amanhecer incrédulo ao romper da coragem, escutamos as vozes, o motor dos carros de combate, os passos em corrida, o rodopiar do helicóptero, as comunicações via rádio, os gritos, os vidros partidos, as perguntas e as respostas, os tiros, o megafone dos capitães, a agonia do regime, as dúvidas e as vontades, o assombro, a festa, a ideia de futuro, rua a rua».

É também referido que «quando, no Largo do Carmo, entre o meio-dia e a uma da tarde, na primeira conferência de imprensa livre, o alferes Carlos Beato sussurrou ao microfone da rádio e a Salgueiro Maia “… e temos o povo…”, interrompendo o “capitão de abril” enquanto este enunciava todas as forças que estavam do lado dos revoltosos», ficou registado para sempre o momento em que o golpe de estado começava a ser uma revolução pendurada nas árvores.

Esta expressão “… e temos o POVO…” é o ícone sonoro que capta a essência das quase quatro horas da primeira e mais completa montagem, do início da manhã de 25 de Abril de 1974 no Terreiro do Paço até à rendição de Marcelo Caetano, incluindo testemunhos, entrevistas e conversas que nunca mais voltaram a estar “no ar” desde que foram emitidas naquelas madrugadas iniciais, há 51 anos, no programa “Limite”, da Rádio Renascença.

Recorde-se que Paulo Coelho, Adelino Gomes e os herdeiros de Pedro Laranjeira ofereceram simbolicamente este histórico documento radiofónico à Comissão dos 50 anos do 25 de Abril, que o depositou no futuro Arquivo Nacional do Som, para preservação e fins de investigação. Os autores consideram que «estas bobinas não constituem apenas uma peça cimeira da história da rádio e do jornalismo em Portugal, mas são igualmente um exemplo raro, em todo o mundo, de um documento sonoro que ecoa tão de perto e de forma tão continuada e prolongada o dia decisivo de uma revolução».

O projeto “… e temos o POVO…” ganhou corpo como epílogo do ciclo de escuta “25 de Abril, sempre no ar – Les oeillets de la radio” que desde fevereiro de 2024, no festival francês Longueur d’ondes, um dos maiores do mundo dedicados à rádio, deu à escuta alguns dos grandes momentos radiofónicos criados antes, durante ou inspirados pela “Revolução dos Cravos”. A partir do dia 25, a viagem começará na Guarda (Rádio Altitude) porque é na Guarda – e no interior – que está “no ar” a rádio local mais antiga do país. O projeto prevê a realização de mais 12 sessões mensais de entrada livre e acessíveis em língua gestual portuguesa em todo o território continental e ilhas. Até abril de 2026 estão já confirmadas, para além da Guarda, sessões no Museu Nacional Resistência e Liberdade (Peniche), em Ponta Delgada e Angra do Heroísmo, Palmela, Lisboa, Peniche, Porto, Santarém, Grândola Algarve, Vila Real, Madeira, Castelo de Vide, Aveiro, Braga e Coimbra.

A escuta presencial e coletiva na Rádio Altitude vai acontecer a partir das 14h30 do dia 25 de janeiro. A entrada é livre, sujeita a inscrição prévia em altitude@altitude.fm ou através dos telefones 271221995 / 927226614.


Conteúdo Recomendado