Portugueses são os campeões europeus da poupança de água

Inquérito revela que há cada vez mais pessoas a dizer que estão a cortar no consumo por razões ambientais.

Portugal passou a ser o campeão europeu da poupança de água entre os cidadãos, segundo um inquérito europeu divulgado esta segunda-feira. Quase dois terços dos portugueses (63%) afirmam que estão a reduzir o seu consumo de água por razões ambientais.

É a maior proporção entre os 28 Estados-membros da União Europeia (UE), de acordo com o mais recente Eurobarómetro sobre as atitudes dos europeus em relação ao ambiente. Em toda a UE, 37% dos cidadãos europeus dizem que poupam água – cinco pontos percentuais a menos do que há três anos, quando foi realizado o último inquérito do género.

Em Portugal, o número não só é muito maior, como subiu nada menos do que 18 pontos percentuais entre 2011 e 2014.

Embora o inquérito classifique este comportamento como ambiental, a questão do preço será uma das principais motivações para a poupança de água. As tarifas têm vindo a subir nos últimos anos, pressionadas pela legislação que exige que o preço da água reflita os custos dos serviços de abastecimento. Entre 2012 e 2013, a fatura média da água, saneamento e resíduos subiu 8%, segundo dados da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR).

A ERSAR tem-se manifestado preocupada com o facto de muitas famílias estarem a prescindir dos serviços de abastecimento, procurando fontes alternativas, sobretudo furos e poços. Até 2011, cerca de 655 mil habitações não estavam ligadas à rede de água, de acordo com a ERSAR.

Apesar do peso crescente da água, a separação de lixo para a reciclagem mantém-se como a atitude ambiental mais comum entre os portugueses e os europeus em geral. Por cá, é praticada por 71% das pessoas, segundo o Eurobarómetro. O valor está próximo da média europeia, que é de 72%. No topo da lista estão a Eslovénia e o Luxemburgo, com 92%.

Depois da reciclagem e da poupança de água, a atitude mais comum entre os portugueses (60%) é cortar no consumo de energia.

Entre as cinco maiores preocupações ambientais no país, quatro coincidem com as da UE como um todo: a poluição do ar, a poluição da água, o crescimento no volume de lixo e a exploração exagerada dos recursos naturais. Mas enquanto na UE o impacto dos químicos na saúde está também nesta lista, em Portugal esta é uma questão que inquieta apenas um em cada quatro cidadãos (26%). Em compensação, o país é o segundo com mais pessoas preocupadas com a escassez de água – 48%, atrás do Chipre (55%) e bem acima da média europeia (27%).

Contrariamente aos inquéritos anteriores, neste Eurobarómetro as alterações climáticas não constam das perguntas. Em 2007, era o problema que mais preocupava os europeus (57%). Naquele ano, o tema estava no topo da atenção mundial, com um novo relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, a publicidade à volta de Al Gore e a realização de uma conferência crucial das Nações Unidas sobre o tema – que coincidiu com a data do inquérito.

Em 2011, já em meio à crise económica, só 34% dos europeus diziam-se preocupados com o assunto.




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