Portugal quer duplicar exportações de frutas e legumes dentro de cinco anos

O setor das frutas e legumes quer duplicar até 2020 o valor das exportações alcançadas no último ano, apontou hoje o presidente da Portugal Fresh, tendo em conta o aumento do consumo destes produtos e das suas exportações.

Para a divulgação internacional dos seus produtos e para aumentar as suas exportações, mais de 40 produtores nacionais vão, a partir de quarta-feira, mostrar a sua oferta em Berlim (Alemanha), na Fruit Logistica, considerada a maior feira mundial de promoção do setor. “Esta feira é muito importante porque temos uma meta para o setor, que é chegarmos aos 2000 milhões de euros de frutas e legumes exportados em 2020 e esta é uma oportunidade de negócio, estar nessa feira para construir esse negócio até 2020”, disse o presidente da Portugal Fresh (Associação para a promoção das Frutas, Legumes e Flores). Manuel Évora falava na apresentação do certame, que ocorreu numa cooperativa de produtores de pera rocha, no Cadaval. Representando cerca de 200 mil hectares de área de cultivo, as frutas e legumes portugueses contribuem por ano com 2.500 milhões de euros para o Produto Interno Bruto, sendo 40% exportados. Apesar da crise e das pressões dos mercados nos preços, é nas exportações que Portugal tem tirado maiores dividendos, diferenciando os seus produtos. A Portugal Fresh, baseando-se em dados ainda provisórios, estima que o setor encerrou o ano de 2014 com 1100 milhões de euros faturados nas exportações, o que corresponde a um aumento de 10% face a 2013 (998MEuro) e cerca de 45% face a 2010 (780MEuro). Também presente na apresentação, a ministra da Agricultura sublinhou que as exportações do setor agroalimentar “têm crescido 10% ao ano” e a pera rocha é um exemplo, com “um saldo positivo de 50 milhões de euros”. O défice no setor agroalimentar “diminuiu 1200 milhões de euros entre 2012 e 2014, situando-se agora nos 2,6 mil milhões”, realçou Assunção Cristas, para quem as metas para 2020 vão ser superadas, se o setor continuar dinâmico como até agora. Para os números, contribui o aumento do consumo de hortícolas (5,8% de 2008 para 2012, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística), apesar de se registarem decréscimos nas frutas (10,6%) e noutros produtos, como carne, peixe, vinhos e leite. As preferências dos consumidores estrangeiros estão na pera e laranja portuguesas, com 100 mil toneladas exportadas, seguindo-se a maçã, com 20 a 25 mil toneladas. Nos hortícolas, o maior volume de exportações é de tomate (100 mil toneladas), batata (60 mil) e cenoura (25 mil). Os principais mercados dos legumes e frutas portugueses são Espanha (28%), França (14%), Reino Unido (10%), Países Baixos (9%) e Angola (5%). A estratégia de internacionalização dos produtos tem permitido chegar a mercados emergentes, não só em países da América Latina, como o Brasil, ou de África, como Marrocos e Angola, mas também do Oriente, como é o caso do Dubai. Ao contrário das exportações, as importações nacionais de legumes e frutas têm vindo a diminuir, contribuindo para vir a ter uma balança comercial positiva. A associação estima que, em 2014, Portugal tenha gasto 1150 milhões de euros em importações, abaixo de 2013 (1.235 milhões) e semelhante aos cinco anos anteriores. Espanha (52,4%), França (9,1%), Países Baixos (7,4%), Bélgica (3,7%) e África do Sul (3%) são os países que mais exportam para Portugal neste setor. Entre as preferências dos portugueses continua a estar a banana, mas são os produtos tropicais (banana, abacaxi, manga, papaia, mamão e lima) que são mais importados.



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