População de Belmonte na rua contra o fecho dos CTT

Populares de Belmonte manifestaram-se esta segunda-feira contra o anunciado encerramento do posto dos CTT na vila e garantiram que vão levar até ao limite a luta pela manutenção deste serviço.

Apesar da chuva que caiu à hora do protesto, foram várias as pessoas que fizeram questão de marcar presença na manifestação que decorreu à porta dos correios e que também reuniu diferentes representantes políticos e sindicais da localidade.

A uma só voz, todos mostraram a sua indignação contra o encerramento deste serviço na sede de concelho, o que já foi confirmado oficialmente pelos CTT, mas que a população não aceita, exigindo que se recue na decisão.

“Falam muito do Interior e da defesa do Interior, mas depois fecham tudo o que há. Isto só é mais um passo a caminho do fim. Um dia destes não temos nada”, referiu José Soares Nave.

Com 71 anos, este habitante de Belmonte lembra a falta que um serviço como os CTT fará a toda a população: “Se já estamos desprotegidos, pior vamos ficar”, acrescenta.

Uma opinião partilhada por Armando Gil, 85 anos, que recorre várias vezes ao posto local para tratar de “vários assuntos”, como, por exemplo, pagar a luz e a água.

“Se isto fechar vamos onde? À Covilhã? E quem paga? E como é que eu faço?” questiona, enquanto aponta para as muletas em que se apoia e que são reflexo da dificuldade que terá se tiver de procurar um serviço fora desta sede de concelho.

Do outro lado da rua, Belarmino Teixeira, 82 anos, mostra um cartaz contra o encerramento e uma bandeira de Portugal.

Diz que esta situação representa uma “vergonha nacional” e lembra que se no seu caso a reforma chega pelo banco, há muitas situações em que são os CTT a pagar.

Preocupação que é também manifestada por Maria da Glória Jesus e pelo marido, que lembram o “impacto negativo” que o encerramento terá para todos, com especial incidência para os mais velhos.

“Estão a tratar-nos como lixo”, referem.

Presente na manifestação, o presidente da Câmara Municipal de Belmonte, António Dias Rocha, também não escondeu a “indignação e revolta contra o anunciado encerramento”.

“Os correios são nossos e sempre foram nossos. Vamos à luta”, afirmou este autarca que foi eleito nas listas do PS e que promete pedir responsabilidades ao primeiro-ministro, caso António Costa nada faça para que o anunciado encerramento seja revertido.

Com uma palavra de agradecimento para as outras forças políticas presentes, o autarca também rejeitou liminarmente a possibilidade de os CTT fazerem acordo com algum privado da região.

“Não queremos mais privados. Queremos aquilo a que temos direito”, acrescentou, defendendo o fim da privatização deste serviço.

Habitante em Belmonte e representante sindical, Maria Tavares alertou ainda para a questão dos postos de trabalho.

Paula Santos, deputada do PCP na Assembleia da República, Luís D’Elvas, do PSD de Belmonte, Nuno Pinto, do Bloco de Esquerda distrital, e José Alberto Gonçalves, eleito da CDU na Assembleia Municipal, também marcaram presença neste protesto e prometeram ficar ao lado da população nesta luta.




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