Da Europa à Ásia, Brexit espalha uma maré vermelha nos mercados

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Todas as grandes bolsas abertas a esta hora estão a registar perdas enormes graças à decisão britânica de abandonar o projeto europeu. Maioria dos investidores parecia acreditar na permanência e por isso, as consequências do ‘não’ estão a ser devastadoras.

Alguns dos investidores mais famosos do mundo tinham alertado que o Brexit podia provocar uma ‘sexta-feira’ negra e os primeiros sinais vindos dos mercados parecem confirmar os piores receios. Ao contrário do esperado pela maioria dos analistas financeiros internacionais, os britânicos deram uma prova cabal do nacionalismo histórico, rejeitando todos os argumentos económicos para votar favoravelmente na saída da União Europeia.

Mesmo com avisos vindos dos quatro cantos do mundo, mesmo com os pedidos insistentes de David Cameron, mesmo com o discurso implacavelmente realista e negativo do Chanceler do Tesouro George Osborne, os votantes do Reino Unido rejeitaram o projeto europeu, disseram adeus à Europa e iniciam um processo que se adivinha longo e penoso rumo ao divórcio final. Após vários dias de otimismo, em que os mercados foram avançando rumo aos ganhos graças a várias sondagens que garantiam a vitória da permanência, a realidade da saída iminente provocou um colapso nas bolsas.

Na Ásia, a primeira bolsa a fechar a sessão de hoje deu um sinal vermelho em relação à visão dos mercados: o principal índice de Tóquio caiu quase 8%, a pior sessão deste ano e uma das piores da última década. Na China, a queda foi de apenas 1,3%, mas considerando que Xangai não registou nenhuma sessão positiva esta semana, as perdas de hoje juntam-se à tendência geral dos últimos dias.

Nas bolsas europeias, a tendência de abertura foi catastrófica, com o Euro Stoxx 50 a cair mais de 8% em linha com os colapsos nas principais praças acionistas. Espanha e Itália lideram as perdas com um ‘crash’ superior a 10%, mas França, Alemanha e Portugal registam quedas acima dos 7% e a bolsa de Londres perde 4% num dia em que nem as matérias-primas escapam ao pessimismo.

O petróleo já esteve a cair mais de 6%, mas abrandou para perdas a rondar os 3% tanto no crude norte-americana como no brent vendido em Londres; a gasolina e o gasóleo seguem pelo mesmo caminho.

A única exceção à maré vermelha é, como se esperaria, o ouro. Em alturas de incerteza, o metal dourado é utilizado como proteção contra a volatilidade dos mercados de ações e a sessão de hoje é uma prova inquestionável desta tendência: enquanto as ações e o petróleo caem a pique, o ouro ganha praticamente 5% numa das melhores sessões desde o auge da crise económica mundial.



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