Economia cai 16,5% no 2º trimestre. Não há registo de queda tão acentuada

O segundo trimestre do ano foi um período que abrangeu o Estado de Emergência e as medidas de confinamento adotadas por causa da pandemia da Covid-19.

O produto interno bruto (PIB) contraiu 16,5% no segundo trimestre do ano, aquele que terá sido o mais afetado pela pandemia do novo coronavírus, revelou o Instituto Nacional de Estatística (INE), na estimativa rápida das Contas Nacionais Trimestrais, esta sexta-feira. É uma “forte contração”, sublinha o INE, e não há registo de uma contração tão acentuada.

“Este resultado é explicado em larga medida pelo contributo negativo da procura interna para a variação homóloga do PIB, que foi consideravelmente mais negativo que o observado no trimestre anterior, refletindo a expressiva contração do consumo privado e do Investimento. O contributo negativo da procura externa líquida também se acentuou no 2.º trimestre, traduzindo a diminuição mais significativa das Exportações de Bens e Serviços que a observada nas Importações de Bens e Serviços devido em grande medida à quase interrupção do turismo de não residentes”, pode ler-se no relatório do INE.

Comparando com o trimestre anterior, ou seja, com os primeiros três meses do ano, a queda do PIB foi de 14,1% em termos reais. “Este resultado é também explicado, em larga medida, pelo contributo negativo da procura interna para a variação em cadeia do PIB, verificando-se também um maior contributo negativo da procura externa líquida”, pode ler-se.
Nos primeiros três meses do ano, a economia portuguesa tinha já registado uma contração de 2,3%, contabilizando parte dos efeitos da pandemia, principalmente no último mês do trimestre. A queda no início do ano seguiu-se ao aumento de 2,2% no trimestre anterior, o último de 2019.

As medidas para conter a pandemia do novo coronavírus paralisaram setores inteiros da economia mundial e levaram o Fundo monetário Internacional (FMI) a fazer previsões sem precedentes nos seus quase 75 anos: a economia mundial poderá cair 4,9% em 2020, arrastada por uma contração de 8% nos EUA, de 10,2% na zona euro e de 5,8% no Japão.

Para Portugal, Bruxelas prevê que a economia recue 9,8% do PIB em 2020, uma contração acima da anterior projeção de 6,8% e da estimada pelo Governo português, de 6,9%.

Esta estimativa rápida é a 30 dias, a estimativa a 45 dias das Contas Nacionais Trimestrais do 2.º trimestre de 2020 será divulgada no dia 14 de agosto de 2020 e os resultados detalhados serão divulgados no dia 31 de agosto.

O INE alerta que a “divulgação mais precoce de resultados comporta uma maior probabilidade de revisões mais significativas que as que ocorrem com estimativas a 45 dias, refletindo quer as incertezas associadas à pandemia quer o menor volume de informação primária disponível. Contudo, esta antecipação na disponibilidade de informação macroeconómica permite também alinhar Portugal com outros países, designadamente da União Europeia”.




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