Ana Abrunhosa, antiga ministra da Coesão Territorial e atual presidente da Câmara Municipal de Coimbra, é outra das convidadas.
“Há muito tempo que não se fala, de forma mais séria, da coesão territorial e das desigualdades territoriais, nomeadamente do despovoamento do interior do país. Acho que é altura de voltar a pôr o tema na agenda e debatê-lo com os responsáveis políticos nacionais, pondo-os a ouvir e a responder a questões colocadas pelo cidadão comum”, disse Carlos Peixoto, presidente da Assembleia Municipal de Gouveia, à agência Lusa.
A sessão vai decorrer no edifício da incubadora de empresas The Rock, em Gouveia, a partir das 10:00, e é aberta à participação do público.
“A Assembleia Municipal deve sair da bolha política, onde falam sempre os mesmos, e tudo o que se diz anda em circuito fechado, e deve abrir-se à sociedade para que ninguém fique excluído desta discussão”, acrescentou o promotor da iniciativa.
Carlos Peixoto afirmou que é preciso “desenvolver diligências” para que “este Governo ou os que vêm a seguir” definam um plano nacional de coesão territorial.
“Isto aconteceu noutros países europeus. Em Portugal nunca, pelo que está na altura de um plano nacional de coesão territorial ver a luz do dia, porque nós, no interior, vamos definhando todos os dias, vamos ficando com menos pessoas, e isto é altamente preocupante”.
Segundo o eleito social-democrata, “não tarda nada e há casas e prédios abandonados, e aquilo que vai acontecer daqui a poucos anos é que se vai ter um cemitério de betão e pedra nas cidades e aldeias do interior”.
“É altura de invertermos este ciclo. Acho que deste encontro poderá sair o embrião de algo mais consistente, que possa fazer escola, relativamente à coesão territorial”, considerou.
Carlos Peixoto disse esperar que nesta sessão “se produzam boas ideias e propostas, que é importante que os ministros ouçam para decidir bem”.
A Assembleia Municipal extraordinária servirá também para refletir sobre o futuro do concelho de Gouveia, no distrito da Guarda, para o período 2026–2036.
“O que se quer é que a população diga o quer e não quer para Gouveia nos próximos dez anos. Ou seja, quais são os caminhos mais viáveis que se devem desenhar e colocar em cima da mesa para que os decisores políticos os possam ter em conta”.
Além de Miguel Pinto Luz, Manuel Castro Almeida e de Ana Abrunhosa, a Assembleia Municipal de Gouveia extraordinária contará ainda com a presença de especialistas, técnicos e autarcas da região.
De acordo com uma nota enviada à agência Lusa, os participantes serão distribuídos por duas salas de trabalho, integrando membros do Executivo, da Assembleia Municipal e público em geral.
“Os trabalhos em grupo visam debater ideias e pensar o futuro de Gouveia, permitindo um momento de reflexão ativa e participada, bem como a recolha de contributos para a definição do futuro estratégico do concelho”.






