Os três relatos do militar da GNR sobrevivente culpabilizam Pedro Dias

António Ferreira sobreviveu apesar de ter sido baleado à queima-roupa pelo suspeito.

O militar da GNR que sobreviveu à tentativa de homicídio perpetrada, alegadamente, por Pedro Dias acusa o suspeito de ser o autor da morte do camarada, Carlos Caetano, bem como do civil que estava no lugar errado à hora errada.

Ao que o Notícias ao Minuto apurou junto de fonte da GNR, António Ferreira já prestou declarações em três momentos distintos e nas três ocasiões manteve sempre a mesma versão dos factos.

Esta versão aponta Pedro Dias como um assassino a sangue-frio que matou o militar Carlos Caetano de 29 anos e o civil Carlos Pinto, também de 29 anos, que seguia com a mulher para uma consulta de fertilidade. A companheira, Liliane, foi também baleada e continua internada com prognóstico reservado.

Sabe o Notícias ao Minuto que, ao contrário do que havia sido avançado, Pedro Dias não estava a furtar cobre na fatídica madrugada do dia 11 de outubro. O suspeito estava sim a furtar gasóleo. Quando foi abordado pelos militares da GNR terá ficado com medo que a detenção em flagrante pudesse colocar em causa a custódia da filha, o que, alegadamente, o terá levado a agir da forma que é já conhecida.

Por essa razão, Pedro Dias matou, segundo o relato do militar sobrevivente, com uma arma de calibre 6,35 que lhe pertence, Carlos Caetano com um tiro na cabeça e, ameaçou António Ferreira de morte com a mesma pistola, obrigando o militar da GNR a colocar o corpo do colega na bagageira da viatura policial.

De seguida, te-lo-á sentado no banco de trás do carro e te-lo-á algemado ao puxador da porta com a mão esquerda, o que lhe dificultaria qualquer possível agressão ao suspeito enquanto este conduzia o carro.

Mas a tragédia podia ter sido maior. Segundo disse ao Notícias ao Minuto a mesma fonte da GNR, foi António Ferreira quem impediu a morte de mais colegas seus. Pedro Dias quereria dirigir-se ao posto da Guarda para matar quem lá estava e, assim, apagar quaisquer vestígios que levassem as autoridades até ele, mas o militar demoveu-o da ideia.

“Não faças isso”, terão sido estas palavras que o convenceram, juntamente com a afirmação de que tal atitude só iria piorar a sua situação.

O suspeito terá então mudado de ideias e conduzido o carro até uma zona isolada junto à Estrada Nacional 229, entre Aguiar da Beira e Viseu. Ali, alegadamente atirou António ao chão que caiu de barriga para baixo. Depois arrastou-o pelos pés e antes de se ir embora disparou um tiro a escassos centímetros do nariz e da boca do militar que caiu “como morto”. Pedro Dias terá então tapado o corpo – que julgava morto – de António com folhas e paus que estavam no chão e seguiu caminho.

Esta é a versão contada, três vezes, pelo militar que sobreviveu e que tem a bala alojada na cervical.

Da sua parte, Pedro Dias, que ontem se entregou às autoridades, dá a entender que os factos não ocorreram desta forma e nega veementemente que seja o autor das mortes, roubos e furtos de que é suspeito.

O ‘Piloto’, como ficou conhecido, continua a ser interrogado pela Polícia Judiciária. Será presente amanhã a tribunal para que lhe sejam aplicadas as medidas de coação tidas por adequadas.




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