Agricultores da Guarda reclamam apoios para superar prejuízos de incêndio de 2013

A Associação Distrital dos Agricultores da Guarda e a Cooperativa de Camponeses do Vale do Alto Mondego exigiram hoje apoios para superar os prejuízos causados por um incêndio florestal ocorrido no Vale do Mondego, Guarda, em 2013.

As duas organizações de agricultores divulgaram uma carta aberta, através da qual explicam que os agricultores daquela zona do concelho da Guarda se sentem “duplamente ignorados, discriminados e prejudicados” por não terem sido ajudados nem “se poderem candidatar às ajudas concedidas aos restantes agricultores afetados pelos fogos”.

“A não ser revista a situação corre-se o risco de muitos agricultores familiares não terem condições para regressar à atividade, provocando assim mais abandono, mais desertificação, menos produção nacional de qualidade e, consequentemente, mais incêndios”, alertam.

No documento, enviado ao Presidente da República, ao presidente da Assembleia da República, ao primeiro-ministro e ao ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, entre outras entidades, as duas organizações representativas dos agricultores solicitam “igual tratamento na atribuição de apoios públicos, técnicos e financeiros” que ajudem a superar a situação “dramática”.

Exigem ainda a alteração do princípio que define que para os agricultores afetados poderem ser apoiados “tenha ardido, pelo menos, 30% da área da freguesia onde se situa a exploração”.

“Para além de poder ser interpretado como incentivo ao ‘deixa arder’, cria discriminações negativas por razões não imputáveis aos discriminados”, justifica a Associação Distrital dos Agricultores da Guarda e a Cooperativa de Camponeses do Vale do Alto Mondego.

O assunto dos prejuízos para os agricultores do Vale do Mondego, na Guarda, afetados pelos incêndios de 2013 levou dois deputados do PCP a questionar o Governo, através da Assembleia da República, em janeiro de 2014.

No documento, os deputados comunistas David Costa e João Ramos perguntavam ao Ministério da Agricultura e do Mar se conhecia a situação e “que tipo de apoio técnico foi prestado ou pode vir a ser prestado a estes agricultores?”.

“No Vale do Alto Mondego estima-se que tenham ardido cerca de 560 hectares de área agrícola, na sua maioria olival”, assinalavam os deputados, referindo que o efeito imediato foi “a brutal redução na produção de azeitona”.

Em fevereiro de 2014, o BE também exigiu que fosse feito o levantamento dos prejuízos dos incêndios naquela zona do concelho da Guarda para que os agricultores fossem apoiados.




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