Assembleia Municipal do Fundão aprova moção contra portagens na A23

A Assembleia Municipal do Fundão aprovou esta quinta-feira duas moções, uma contra a cobrança de portagens na Autoestrada da Beira Interior (A23) e a outra a pedir o reforço de efetivos na GNR local.

O documento relativo às portagens na A23 foi aprovado por unanimidade e apresenta um texto subscrito por todos os grupos representados naquele órgão (PSD, PS, CDU e BE), sendo reafirmada “de forma inequívoca” a sua oposição relativamente às portagens.

Os eleitos na Assembleia Municipal (AM) deste concelho do distrito de Castelo Branco fundamentam que a implementação de portagens afetou “negativamente a região” e que teve “impacto nas famílias, nas micro, pequenas e médias empresas e no tecido social que lhe é associado”.

Deste modo, o órgão deliberou “opor-se totalmente à aplicação de portagens na SCUT da A23, considerando que elas põem não só em causa a coesão nacional como lesam gravemente as populações das regiões do Interior, particularmente as do concelho do Fundão”.

Apesar de o conteúdo reunir consenso, a apresentação da moção acabou por ficar marcada por alguma divergência política, depois de Jorge Garcês (PSD) ter feito o enquadramento da mesma, o que não agradou aos eleitos do PS e CDU.

Jorge Garcês começou por dizer que a moção se “apresentava por ela própria” para sublinhar, depois, aspetos políticos e para questionar publicamente qual será o sentido de voto dos deputados eleitos na Assembleia da República relativamente a esta questão.

A abordagem foi criticada por José Pina (PS), que a classificou de política baixa e explicou que o PS só mantinha o sentido de voto pela importância do assunto.

Luís Lourenço (CDU) também criticou o enquadramento feito pelo PSD e reiterou a importância do consenso.

Nesta sessão, foi ainda aprovada, por maioria, uma moção que exige o “reforço urgente” do contingente operacional da GNR do Fundão.

Apresentado pelo grupo municipal do PSD, o documento vinca que é “notório que o número atual de efetivos não corresponde às expectativas e às necessidades da população em geral e dos visitantes do concelho”.

Acrescenta que já foram deixados “alertas” pela Associação de Profissionais da GNR, os quais apontam que metade do efetivo não integra escalas de serviço e que “muitas vezes é necessário” recorrer a ajudas dos concelhos vizinhos.

Na apreciação da moção, o PS mostrou dúvidas quanto aos dados apresentados por não se saber ao certo da sua fiabilidade e veracidade.

José Pina lembrou que os mesmos não foram apresentados oficialmente pela GNR, sublinhou que está em causa uma questão interna e mostrou-se confiante de que o Comando da GNR saberá resolvê-la, anunciando que o sentido de voto socialista seria a abstenção.

Já a CDU optou pelo voto a favor, referindo que está em causa um problema que diz respeito ao concelho e que a posição da AM pode contribuir para dar força à reivindicação de que é preciso dar resposta às necessidades.

A moção relativa ao efetivo da GNR foi aprovada por maioria, com 23 votos a favor e seis abstenções.




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