Artistas desafiados a criar escultura inspirada no Grande Vale do Côa em aldeia do Sabugal

A Rewilding Portugal vai assinalar o regresso da vida selvagem ao Grande Vale do Côa com uma escultura em Vilar Maior, no concelho do Sabugal, inspirada “numa espécie emblemática da fauna ou flora” da região.

“Queremos que esta escultura seja mais do que uma peça de arte instalada numa aldeia. Queremos que seja uma forma de contar a história da natureza que está a regressar ao Grande Vale do Côa e de criar uma ligação entre essa natureza, Vilar Maior e quem aqui vive e quem nos visita”, adiantou Fernando Teixeira, diretor de Comunicação da Rewilding Portugal, citado num comunicado enviado à agência Lusa.

A iniciativa faz parte do projeto ‘Aldeias Rewilding’, que pretende aproximar a conservação da natureza das comunidades locais, do património e da visitação, “transformando aldeias estrategicamente localizadas em verdadeiras portas de entrada para a descoberta dos territórios ‘rewilding’”.

“Que forma pode ter a natureza selvagem do Grande Vale do Côa e que espécie escolher para funcionar como símbolo do regresso da vida selvagem a este território? Estamos muito curiosos para descobrir como diferentes artistas vão interpretar esta ideia”, acrescentou aquele responsável.

Podem participar artistas portugueses e internacionais, que deverão criar uma escultura inspirada numa espécie emblemática da fauna ou flora associada ao ‘rewilding’ em Portugal e/ou ao Grande Vale do Côa.

A obra de grande dimensão será instalada em Vilar Maior, a primeira ‘Aldeia Rewilding’ do Grande Vale do Côa situada no concelho do Sabugal, no distrito da Guarda.

Os artistas terão liberdade para escolher a espécie, a interpretação artística, os materiais e a própria durabilidade da obra.

A convocatória está aberta a artistas individuais, maiores de 18 anos, ou equipas, residentes em Portugal ou no estrangeiro, com experiência artística prévia demonstrável e capacidade para executar uma obra tridimensional.

As candidaturas decorrem até dia 12 e o vencedor será anunciado a partir de 14 de outubro.

“O artista ou equipa selecionado/a receberá uma bolsa de 2.500 euros + IVA, que inclui a remuneração artística, materiais e deslocação até Vilar Maior. A organização assegurará ainda alojamento, refeições e apoio logístico local durante a residência artística, que terá lugar no prazo máximo de seis meses após o anúncio do vencedor”.

A Rewilding Portugal, sediada na Guarda, acrescentou que a participação da comunidade de Vilar Maior no processo de criação da obra não é obrigatória, mas será valorizada pelo júri.

“A intenção é que a intervenção artística possa também criar momentos de encontro e envolvimento entre o artista e a população da primeira ‘Aldeia Rewilding” de Portugal”.

Segundo a Rewilding Portugal, as propostas serão avaliadas por um Comité de Seleção e Acompanhamento formado por representantes daquela ONG ambiental, do município do Sabugal, da União das Freguesias de Aldeia da Ribeira, Vilar Maior e Badamalos e da Associação Muralhas de Vilar Maior.

“A adequabilidade ao espaço e contexto de Vilar Maior, a ligação à narrativa do ‘rewilding’, criatividade e originalidade, exequibilidade, qualidade estética e integração na paisagem, experiência artística anterior e envolvimento da comunidade local”, são alguns dos critérios de avaliação das obras apresentadas.

Além da escultura, o projeto prevê a instalação em Vilar Maior de painéis informativos e interpretativos, nova sinalética de identificação como ‘Aldeia Rewilding’, um mural artístico e um Centro de Visitação Rewilding no espaço de entrada do Museu Vivo da localidade.

“O objetivo é criar em Vilar Maior uma aldeia de referência para o turismo de natureza e ‘rewilding’, valorizando o património natural e cultural, reforçando a identidade territorial e criando condições para uma visitação mais estruturada, informada e com impacto positivo na economia local”.

Valedocoa Artistas

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