“Tenho a certeza absoluta de que este concurso, nestas condições, vai atrair empresários e grupos hoteleiros”, afirmou o secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado, na sessão realizada hoje à tarde no interior do edifício inaugurado em 1947, no centro da cidade.
O governante disse mesmo que “quase apostava em inaugurar o hotel nesta legislatura”.
Pedro Machado acrescentou que tem “uma fé inabalável” de que o mercado vai responder, porque “o modelo de negócios aproxima-se dos sinais da procura” e a região da Guarda “tem todas as condições para crescer em termos turísticos”.
“O mercado de Portugal é, hoje, muito apetecível. Há variadíssimos grupos hoteleiros que estão à procura de edifícios com estas características e dimensão, acima das cem camas”, justificou.
O secretário de Estado do Turismo justificou que os procedimentos anteriores não resultaram porque “um estabelecimento como este não podia funcionar com as condições do modelo de negócios apresentadas”.
Além disso, “o território também tem evoluído e os eixos da procura turística são hoje diferentes do que eram há três ou quatro anos, e isso também torna esta infraestrutura mais atrativa”, considerou.
Já Carlos Abade, presidente do Turismo de Portugal, adiantou que “a possibilidade de ficar com o direito de propriedade, uma vez que o investidor poderá exercer a opção de compra a partir do quarto ano de arrendamento, não será indiferente para quem terá de fazer um investimento avultado” para recuperar o Hotel Turismo da Guarda, que será de quatro estrelas.
O responsável remeteu a divulgação do valor da renda a pagar pelo futuro adjudicatário para quarta-feira, data prevista para a publicação do anúncio do procedimento.
“A partir do momento em que o anúncio for publicado nos jornais locais e nacionais, decorrerá um prazo de 40 dias consecutivos para a apresentação de propostas”, disse Carlos Abade.
O Turismo de Portugal, proprietário do imóvel desde 2013, espera anunciar a decisão de adjudicação “durante o mês de maio”, sendo que deverão ser necessários “18 a 24 meses para pôr o hotel a funcionar”, indicou ainda.
O presidente da Câmara da Guarda, Sérgio Costa, sublinhou que, com este anúncio do concurso público, “já se consegue ver alguma luz ao fundo do túnel”, num processo que se arrasta desde 2013.
“Ao longo destes anos, foram dados demasiados tiros de pólvora seca e alguns andaram a colocar-se em bicos de pés com o trabalho dos outros. Agora, é preciso deixar que as coisas aconteçam, mas os guardenses estão como Frei Tomás, querem ver para crer”, avisou.
O autarca garantiu que “só se descansará quando se estiver aqui para inaugurar o Hotel Turismo, que está fechado há 16 anos”.
O presidente do município lembrou ainda que a Guarda “precisa muito de camas turísticas, tendo em conta o aumento do número de dormidas nos últimos anos”.
Projetado pelo arquiteto Vasco Regaleira e inaugurado em 1947, o Hotel Turismo fechou portas em outubro de 2010.
Em abril do ano seguinte, a Câmara vendeu o imóvel ao Turismo de Portugal, para realizar um investimento estimado em 10 milhões de euros e reabrir como Escola de Hotelaria e Hotel de Aplicação.
Em 2012, o Governo PSD/CDS desistiu do projeto e os Governos seguintes, do PS, optaram por integrar o imóvel no programa REVIVE – Reabilitação, Património e Turismo.
Entre 2017 e 2021 foram feitas três tentativas de concessão, mas sem sucesso. Em 2022, o imóvel foi desafetado do programa, tendo sido integrado na rede de Pousadas de Portugal no ano seguinte.
Em dezembro de 2025, foi revogado, por mútuo acordo, o contrato de arrendamento que o Turismo de Portugal tinha celebrado com a ENATUR, voltando o processo à estaca zero.






