Empresa da Universidade de Coimbra quer fomentar produção de oliveiras nacionais

Uma empresa “spin-off” da Universidade de Coimbra, criada em 2013, e incubada no Instituto Pedro Nunes (IPN), quer apostar na produção “in vitro” da oliveira galega, de forma a “garantir a identidade” do azeite português.

“Muitos agricultores e produtores compram oliveiras em Espanha e está a perder-se a variedade nacional e a identidade” do azeite português, sublinhou Mónica Zuzarte, uma das fundadoras da empresa de biotecnologia vegetal Quality Plant, que pretende “recuperar e apostar” na produção da oliveira galega, através da técnica “in vitro”. Segundo a responsável, a oliveira galega “era uma variedade que se estava a perder”, querendo a empresa combater “a tendência de aposta nos produtos mais usados” e reforçar a produção de “espécies locais”. A oliveira galega “é da maior importância para o país, porque, caso se usa a oliveira espanhola, o azeite [português] perde qualidade e identidade”, frisou. A empresa usa a metodologia de “cultura ‘in vitro’”, em que a planta cresce num ambiente “estéril, sem contaminações e com todas as condições ideais reunidas”, nomeadamente luz, nutrientes e temperatura, aclarou Mónica Zuzarte à agência Lusa. A Quality Plant gera plantas “geneticamente iguais” a uma planta-mãe, “sem que haja modificação genética”. As plantas, ao saírem da cultura “in vitro” para o solo, passam por uma fase de aclimatização, podendo depois ser vendidas a agricultores ou a viveiristas. “A vantagem do uso desta técnica é que as plantas, quando chegam aos agricultores, são geneticamente uniformes e vão isentas de doenças”, salientou a responsável. Para além da produção de plantas em cultura “in vitro”, a Quality Plant presta ainda serviços na conservação de espécies locais, armazenando as plantas “num banco de germoplasma, sendo depois usadas pelos agricultores, caso a cultura existente se perca com uma intempérie ou uma praga”, referiu. “Isto permite que possa haver uma aposta nos produtos nacionais, em condições que permitem a produção de variedades regionais em grande quantidade”, explicou Mónica Zuzarte. A empresa, sediada no IPN e com o polo de investigação em Seia, já venceu o prémio da Universidade de Coimbra Arrisca C 2011 para ideia de negócio e prémio Arrisca C 2012 para prova de conceito. A 6 de setembro, a Quality Plant realiza no Centro de Interpretação da Serra da Estrela um dia aberto para dar a conhecer a sua atividade a agricultores e viveiristas.



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