Dívidas na restauração subiram 10 milhões por mês desde 2011

Um dos setores mais afetados pela crise económica e financeira em Portugal foi o da restauração e da hotelaria. O crédito malparado destas empresas junto da banca aumentou 172%, para 592 milhões de euros, no espaço de apenas três anos, a partir dos 218 milhões de euros registados em março de 2011.

O malparado no setor cresceu a um ritmo avassalador: foram mais de 10 milhões de euros em média por cada um dos 36 meses.

Estas empresas tinham 592 milhões de euros em créditos considerados como de cobrança duvidosa pelas instituições financeiras em março, um aumento de 7 milhões face a fevereiro, segundo dados do Banco de Portugal ontem divulgados.

Mas é preciso recuar mais no tempo para avaliar a verdadeira dimensão da crise que se vive neste sector. Em março de 2011, apenas dois meses antes de Portugal assinar o memorando de entendimento com os credores internacionais, estas empresas tinham 218 milhões de euros em malparado. Passados apenas dois meses, quando Portugal assinou o resgate internacional, já este valor tinha aumentado para 236 milhões.

Olhando para trás, o ano de 2013 foi particularmente gravoso para a hotelaria e restauração. O malparado no setor aumentou 137 milhões, para 588 milhões, mais 30% durante estes 12 meses.

Estes dados ajudam a compor o quadro da grave situação que o sector vive. A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) revelou esta semana que o setor perdeu 315 empregos por dia em seis meses, entre outubro e março. Ao todo, foram 56 800 postos de trabalho perdidos. A crise também tem provocado o encerramento de empresas. Ao longo de 2013, fechou mais de uma empresa por dia neste setor, num total de 458 insolvências, segundo um estudo da seguradora Cosec.




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