Foi na Região Demarcada do Douro (RDD), no coração do Douro Superior, que o grupo João Portugal, Vinhos S.A., decidiu implementar o projeto “Duorum”.

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No espaço de uma década, um grupo empresarial ligado ao setor vitivinícola implementou no concelho de Foz Côa um conceito que vai muito além da produção de vinho, contribuindo simultaneamente para a preservação da biodiversidade do território.

Após uma década, estamos muito satisfeitos em ter apadrinhado este conceito revolucionário de preservar a biodiversidade e, ao mesmo tempo, desenvolver uma cultura económica. Estamos em condições de afirmar que conseguimos um perfeito equilíbrio ambiental e, ao mesmo tempo, ter uma atividade económica que seja rentável e que ajude a desenvolver o país”, explicou à Lusa o responsável pelo projeto “Duorum”, José Soares Franco.

Foi na Região Demarcada do Douro (RDD), no coração do Douro Superior, paredes meias com o legado da Arte do Côa, em plena Rede Natura 2000, que o grupo João Portugal, Vinhos S.A., decidiu implementar o projeto “Duorum”, em 88 parcelas incluídas em 150 hectares de terreno.

O projeto está implantado na Quinta de Castelo Melhor, situada na margem esquerda do rio Douro, no distrito da Guarda, numa encosta com paisagens únicas e uma avifauna que se encontra ameaçada de extinção.

“Sem pôr em causa a biodiversidade, temos a cultura da videira que não ameaça o meio natural, onde está inserida, e daí conseguimos em equilíbrio natural entre a produção de vinho e o ambiente”, frisou o também enólogo.

A preservação de aves ameaçadas como o chasco-preto (espécie em vias de extinção), a águia de Bonelli, o falcão peregrino, o britango ou o milhafre preto, que nidificam numas das escarpas das vinhas do projeto “Duorum” são uma das preocupações ambientais e já com resultados visíveis.

“Uma das medidas minimizadoras dos impactos ambientais do nosso projeto vinícola foi monitorização da biodiversidade levada a cabo por um grupo de biólogos duas vezes por ano e, aqui, temos a prova de que têm havido resultados positivos nas nossas vinhas”, vincou José Soares Franco.

O projeto já foi o vencedor de prémios europeus e nacionais, onde se destaca o galardão Anderes Wall, atribuído ao melhor projeto de gestão da biodiversidade e paisagem em espaço rural.

Para além de se poder observar a avifauna, dali também se pode avistar a paisagem única daquele “rincão” duriense e perceber o que resta da antiga estação de caminho-de-ferro de Castelo Melhor, no distrito da Guarda, um local emblemático e histórico por onde passa a antiga via férrea que ligava o Pocinho (Vila Nova de Foz Côa) à Barca d’ Alva (Figueira de Castelo Rodrigo).

Nada é deixado ao acaso, desde a plantação de espécies da flora autóctone, aos comedouros e bebedouro para a avifauna existente na região e que são colocados estrategicamente ao longo de toda a propriedade.
“Com a redução da utilização de pesticidas, temos cada vez mais a presença de aves e de flora natural neste território”, observou.

Criado em 2007, o projeto “Duorum” possui desde o seu início preocupações ambientais no que respeita à preservação da orografia e paisagem ancestral da RDD e à inclusão no meio socioeconómico desfavorecido onde se insere.

Por seu lado, o administrador João Portugal Ramos, refere que o “Duorum” é um projeto vinícola com 84 parcelas dentro de 150 hectares, dos quais 60 hectares correspondem a vinhas já plantadas no Douro Superior.
“Trata-se de uma aposta firme e determinada, com resultados visíveis e vinhos extraordinários, que vão do melhoramento a medidas para que as vinhas ganhem mais corpo”, enfatizou.

Segundo o empresário, no projeto vinícola “Duorum” foram investidos até ao momento cerca de sete milhões de euros.

A “Duorum” surge da vontade dos dois enólogos, João Portugal Ramos e José Soares Franco, de desenvolver um projeto vinícola exclusivamente dedicado ao Douro, que se materializa em dez marcas de vinhos que são exportadas para cerca de 40 países com destaque para o Reino Unido, Suécia, Canadá, Estados Unidos da América, Brasil e Angola.