Universidade da Beira Interior espera há nove meses por dinheiro comunitário

O centro de investigação em computação em nuvem fazia parte de um conjunto de três centros de investigação que o anterior governo queria criar em instituições de ensino superior do interior do país.

Centro de investigação em computação em nuvem tinha financiamento garantido, mas a CCDR do Centro não abriu o concurso necessário.
A Universidade da Beira Interior (UBI) está há nove meses à espera da abertura do concurso destinado a garantir financiamento comunitário para a criação de um centro de investigação em computação em nuvem. O projecto está inserido no Portugal 2020 e tinha financiamento assegurado através de um memorando de entendimento assinado há dois anos com Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR-C) e patrocinado pelo Governo. Em causa está uma verba entre 1,5 e dois milhões de euros por ano para a investigação durante um período de seis anos.

Em Janeiro, a CCDR-C informou a UBI de que o aviso de abertura do concurso estava pronto e a aguardar aprovação na Agência de Coesão para poder ser lançado o processo. No entanto, desde então não houve novos desenvolvimentos.

 

“É estranho um tão longo prazo para aprovação”, comenta o vice-reitor para a área de projectos da UBI, José Páscoa. Aquele responsável espera, porém, que o aviso de abertura possa surgir ainda este mês: “Esta data é estratégica pois há várias dezenas de investigadores que terminaram a sua formação e que poderiam incorporar os recursos humanos do centro de investigação.” Contactada pelo PÚBLICO, a CCDR-C limitou-se a adiantar que o processo “ainda está em análise” e não quis avançar uma data para que possa finalmente avançar.

Os desencontros entre a universidade e a comissão de coordenação não começaram agora. O centro de investigação em computação em nuvem fazia parte de um conjunto de três centros de investigação que o anterior governo liderado por Pedro Passos Coelho queria criar em instituições de ensino superior do interior do país — e que incluía ainda a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e a Universidade de Évora.

Ao contrário do que aconteceu com as restantes parcerias, o acordo com a UBI não foi concretizado em Agosto de 2015 porque o reitor, António Fidalgo, se recusou a assiná-lo uma vez que não incluía a dotação orçamental de 1,5 milhões de euros anuais. Na altura, a CCDR-C, responsável pelo financiamento, afirmava que o projecto da UBI precisava ainda de “amadurecimento” para garantir esse dinheiro. O acordo seria assinado dois meses depois.

Os três centros de investigação têm financiamento garantido, no âmbito do Portugal 2020, para um período que pode ir até seis anos. Numa primeira fase, cada estrutura recebeu um financiamento de 150 mil euros, devendo indicar uma comissão de especialistas internacionais, que serão responsáveis por delinear as respectivas estratégias e seleccionar o quadro de investigadores e o director de cada centro, que se pretende seja um investigador reconhecido na área. A partir daí, cada centro poderá captar fundos comunitários através dos programas operacionais regionais, através de convites que serão endereçados por cada CCDR, com valores que variam entre os 1,5 e os dois milhões de euros anuais.

Depois da assinatura do protocolo com a CCDR-C, a UBI criou uma Comissão Científica Internacional, apoiada pelo presidente da European Alliance for Innovation, Imrich Chlamtac. Em Julho de 2016 apresentou a memória descritiva do projecto, “cujo teor foi detalhadamente acordado com a CCDR-C em termos de foco e áreas de acção”, conta o vice-reitor José Páscoa. O documento detalha as várias actividades de investigação, inovação e transferência de conhecimento previstas para o novo centro. Além dos investigadores da UBI, estão envolvidos investigadores dos institutos politécnicos da Guarda e de Castelo Branco, bem como empresas ligadas ao software que operam na região, como a Outsystems, de Proença-a-Nova, a Altran, no Fundão, e o Centro de Dados da Altice na Covilhã.




Conteúdo Recomendado