VI Fórum de Turismo Interno “Vê Portugal” decorre em Castelo Branco

A iniciativa, organizada pelo Turismo Centro de Portugal, termina hoje e pretende contribuir para se “perceber o que é que vai ser o turismo na próxima década”.

Ana Mendes Godinho mostrou, esta terça-feira, sentir-se “levada pela onda de mudança estrutural que se sente” no setor. Numa intervenção integrada no evento, a secretária de Estado do Turismo estimou que o turismo “seja um instrumento de mobilização do território, de afirmação de Portugal, não só como um país para visitar” mas também para “posicionar Portugal internacionalmente como um case study”, através da aposta em “turismo como instrumento de inovação, novos residentes, investimentos ou, mesmo, filmes”, como decorreu a apresentação do país como destino de rodagem cinematográfica em Paris e Cannes. “São vários os chapéus que tem”, cuja máxima “é o de ser um instrumento catalisador de várias atividades no território, desde a dinamização do território, da natureza, do artesanato”, defende.

Para Ana Mendes Godinho, Portugal tem tudo para se “afirmar como país especializado, desde a conceção do produto à fase da construção, do fornecimento de materiais e de formação dos profissionais do setor”, sendo que deve haver “ambição” para que o setor seja a “bandeira de afirmação de Portugal como país especializado nas várias dimensões. O turismo é muito mais que um setor”, sustenta. Mantendo a mesma linha, a secretária de Estado considera que o setor “é uma arma de transformação e de afirmação. O Turismo é abrir o mapa de Portugal”. Prova disso, é o programa “Valorizar” em que, no Interior, há “mais de 500 projetos aprovados”.

Também a “inovação” foi um tema a ser debatido neste encontro. A governante referiu-se ao facto do Centro de Inovação do Turismo ter sido sediado na Covilhã. Ana Mendes Godinho acredita que “a inovação e a digitalização” devem continuar a ser “um instrumento de oferta online”, além do facto de, naquele centro, se estarem a “desenvolver produtos inovadores”, algo que descreve como tendo “autenticidade com inovação e sofisticação”.

Apesar do setor estar em crescimento, “há muito para fazer. Há uma grande dinâmica a acontecer no território e uma procura internacional e nacional sobre estes destinos que são o futuro da sustentabilidade do turismo”. Para a governante, “o grande desafio é continuar esta dinâmica”, focando-se em “equilibrar a procura no território e afirmarmo-nos como um destino sustentável em diferentes dimensões: territorial, social, ambiental, economia”, indica.

Ana Mendes Godinho mostrou-se satisfeita com os resultados do setor. “O mercado interno bateu um recorde de 9,8 milhões de hóspedes portugueses em alojamento turístico em 2018”, correspondendo a um crescimento de 35% desde 2015. “Os portugueses ficaram a descobrir Portugal”, afirma, indicando haver mais curiosidade. A secretária de Estado do Turismo diz que este crescimento “resulta de uma melhoria geral da capacidade de rendimentos dos portugueses”, associada à “reposição dos feriados e à vontade em redescobrir uma oferta variada, qualificada e inovadora que surge em todo o país”.

Ana Mendes Godinho aproveitou a ocasião para partilhar com os jornalistas os dados do Banco de Portugal divulgados esta terça-feira. De janeiro a março de 2019, os dados apontam para um crescimento de 5,3% das receitas turísticas, com os mercados norte-americano (37%), italiano (20,8%), brasileiro (13,4%), irlandês (12,9%) e britânico (10,2 %) a contribuírem para esta subida. A secretária de Estado destacou especialmente o mercado do Reino Unido, sublinhando a importância das campanhas que têm vindo a ser feitas para combater os efeitos do Brexit. Quanto aos restantes mercados, “é o resultado da diversificação”, permitindo que, em meses como o de “março, onde tivemos uma quebra do mercado espanhol, conseguíssemos ter este crescimento nas receitas”.

Em jeito de conclusão, Ana Mendes Godinho deixa o repto de “continuar o trabalho de mobilização de todo o território. Temos de colocar foco naquilo que podemos fazer para mostrar o país”.

Na sessão de abertura do evento, o presidente do Turismo Centro de Portugal (TCP), Pedro Machado destacou também a importância do turismo interno enquanto “instrumento poderoso no combate da sazonalidade e no prolongamento da estadia média”, principalmente para regiões como o Centro de Portugal, Alentejo e Açores, que estão mais afastadas dos aeroportos nacionais, que segundo o presidente do TCP, são as “portas de entrada prioritárias” no país, recebendo 75% do fluxo turístico nacional.

As novas abordagens, como o turismo cinematográfico ou a inovação digital, são alguns dos temas em debate e que, segundo Pedro Machado, permitem “chegar a novos mercados e novos produtos”, numa altura em que “há um ligeiro arrefecimento em relação aquilo que é a procura”.

O 6.º Fórum de Turismo Interno Vê Portugal decorre até esta quarta-feira, 22 de maio, em Castelo Branco, e conta com mais de 500 participantes, iniciativa que, no conjunto das edições já realizadas, contabiliza mais de três mil participantes e mais de 200 oradores convidados.

 




Conteúdo Recomendado