Turismo do Centro quer fechar o ano com perdas não superiores a 30%

Outro indicador positivo nestes últimos meses, assinalou Pedro Machado, foi o “aumento da taxa média de ocupação do Centro de Portugal”.

O presidente do Turismo Centro de Portugal assumiu que se o ano de 2020 fechar com perdas na ordem dos 30%, face ao ano transato, é sinal de que “o esforço já valeu a pena”.

“Se fossemos capazes de fechar 2020 com perdas na ordem dos 30%, comparado com 2019, seria um resultado para o qual, não estando felizes nem satisfeitos, diríamos que, pelo menos, o esforço valeu a pena”, assumiu Pedro Machado.

Em conferência de imprensa numa unidade hoteleira na Lapa dos Dinheiros, concelho de Seia, Guarda, para apresentar a efeméride do Dia Mundial do Turismo que se assinala a 27 de setembro, e que este ano é dedicado ao desenvolvimento rural, Pedro Machado destacou os resultados do setor na região Centro.

“Dados do INE do mês de julho de 2020, comparativamente com o período homólogo de 2019, referem que Portugal está com perdas acumuláveis na ordem dos 68% e a região Centro conseguiu ter apenas, e este apenas é muito entre aspas, cerca de 47%, ou seja, praticamente 20 pontos percentuais a menos que as perdas do acumulado nacional”, destacou.

Dados que, no seu entender, “não são um bom resultado”, porque é preciso olhar para “o acumulado e para a média da região”, mas reconheceu “bons exemplos que tiveram meses como os de julho e agosto como os melhores meses dos últimos 20 anos”.

Neste sentido, referenciou também Castelo de Bode que, disse, “registou em julho e agosto o melhor rácio dos últimos 10 anos”, porque, “os consumidores muito habituados a uma permanência num período estival associado às praias oceânicas, este ano, as barragens, as albufeiras, as praias fluviais foram felizmente compulsivamente procuradas”.

“Apesar de [a pandemia] não ter trazido nada de bom”, disse o responsável, “fecharam-se portas, nomeadamente as aeroportuárias de mercados decisivos para o Centro de Portugal como o Brasil, Alemanha, França, mas abriram-se janelas”.

“A janela da oportunidade de territórios como aquele onde estamos hoje, janelas de oportunidade para o turismo ativo, para o cicloturismo, para a gastronomia, para a saúde e bem-estar, para muitos daqueles produtos que são o portefólio que temos com vantagem competitiva no Centro de Portugal”, destacou.

Produtos e locais que, no seu entender, “não estavam na primeira linha da preferência dos consumidores nacionais e internacionais”, mas que “segundo dados da “Booking” desta semana, poderão passar a estar”.

“O novo normal passa pela escolha das chamadas cidades de segunda linha. A “Booking” tornou público que mais de 51% dos viajantes internacionais que escolhem um destino, estão disponíveis para alterar a sua viagem para destinos que tenham esta componente da sustentabilidade associada, seja a sustentabilidade ambiental, a económica ou a social”, adiantou.

Outro indicador positivo nestes últimos meses, assinalou Pedro Machado, foi o “aumento da taxa média de ocupação do Centro de Portugal que andava no 1,7 ou 1,8 e a fasquia era chegar às duas noites em média” e, “em muitos casos, o indicador da estadia média aumentou, com casos de cinco noites” nas unidades hoteleiras.

“Muitos portugueses redescobriram o seu próprio país e não só tiveram boas surpresas, como acredito que vão voltar em 2021 e em 2022 e, mais do que isso, vão recomendar aos amigos e colegas de trabalho, mas também nas redes sociais onde vão “instagramar” muito daquilo que puderam observar e, seguramente, essa janela de oportunidade vai servir para reforçar estes três projetos que aqui falámos hoje”, destacou.



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