Habitantes de aldeia do Sabugal contestam ampliação de parque eólico

Os habitantes da aldeia de Malcata, no concelho do Sabugal, estão contra a ampliação de um parque eólico por considerarem que está em causa a sua qualidade de vida e o seu bem-estar, foi hoje anunciado.

Amílcar Fernandes, porta-voz do movimento Malcata Pro-Futuro, que representa a população, disse hoje à agência Lusa que o denominado projeto de “Sobreequipamento do Parque Eólico de Penamacor 3B”, previsto para ocupar áreas das freguesias de Malcata (Sabugal) e Meimão (Penamacor), contempla a construção de seis aerogeradores que vão juntar-se aos 19 existentes.

“Os novos seis aerogeradores vão ser colocados mais próximos da freguesia [de Malcata] do que os que já existem. Se com estes 19 já temos ruído suficiente, com os novos que, ao que consta, serão mais potentes, provavelmente ficaremos pior a nível do impacto visual e bem pior relativamente ao impacto sonoro”, vaticina o responsável.

Os habitantes consideram que o processo relativo ao parque eólico, que está previsto ficar com um total de 25 aerogeradores, apresenta “enormes fragilidades, que se adicionam, todas em prejuízo da população de Malcata”.

Também assumem que está em causa “o seu supremo bem-estar”, a sua qualidade de vida e o futuro da aldeia que tem no sossego a sua “maior riqueza”.

“As gentes de Malcata já dão, com os 19 aerogeradores, uma contribuição significativa para a estratégia nacional de combate às alterações climáticas, sem contrapartidas económicas para a microeconomia local, e têm todo o direito de continuar a viver, condignamente, na sua terra”, considera aquele movimento.

O porta-voz do Malcata Pro-Futuro lembra que a oposição ao projeto materializou-se em três abaixo-assinados dirigidos à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e no envio de uma exposição ao ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia.

“O primeiro abaixo-assinado ocorreu em fase de consulta pública, outro contestou a localização dos pontos de medição do ruído e o último aponta fragilidades da Declaração de Impacto Ambiental, emitida pela APA”, é assinalado.

Amílcar Fernandes lamenta que o movimento ainda não tenha tido respostas relativamente às várias diligências efetuadas até ao momento com o objetivo de travar o projeto de ampliação do parque eólico.

“O que preocupa é que estamos fartos de reclamar e ninguém nos diz nada e estamos sem saber o que vai acontecer”, referiu à Lusa.

O movimento reuniu, no sábado, com a população e com a Junta de Freguesia de Malcata e deliberou, entre outros aspetos, “rejeitar liminarmente” o investimento energético.

Na reunião, ficou ainda decidido prosseguir com todas as ações necessárias para impedir o projeto, incluindo as judiciais.

Aquela freguesia do concelho do Sabugal, com cerca de 250 habitantes, está localizada na área da Serra da Malcata, a sete quilómetros de distância da sede do município.



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