Falta de camas de cuidados intensivos “é gritante”

A região Centro tem apenas 75 camas de cuidados intensivos num total de 482 existentes a nível nacional, alerta a Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, segundo a qual seriam necessárias 103 camas.

Também o número de médicos desta especialidade a trabalhar na região é menor do que aquele que seria necessário, pois dos 31 atuais médicos intensivistas titulados para 75 camas seriam necessários, no total, 65 especialistas. A falta de camas, quer nos cuidados intensivos, quer nos cuidados intermédios, são «uma das maiores carências e revelam desigualdades gritantes em relação às outras regiões», afirma Carlos Cortes. Para o presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, «a gestão conjunta de camas intensivas e camas intermédias permite ganhos evidentes na gestão clínica e na gestão de recursos humanos», assim como na redução de custos e melhoria na qualidade assistencial ao doente crítico.

Assim, para que os números da região Centro se aproximassem do Norte e Sul seriam necessárias 103 camas e 90 intensivistas, pelo que o dirigente diz ser «urgente formar intensivistas na região Centro» para «combater os constrangimentos decorrentes da falta de recursos humanos». Carlos Cortes fala mesmo num «total desprezo, nos últimos anos, em relação aos doentes mais críticos», acrescentando que é com «enorme preocupação» que recebe queixas sobre a situação da Medicina Intensiva na região. Na sua opinião, o caso revela «irresponsabilidade pelos doentes que enfrentam as situações mais agudas e graves», já que em toda a região Centro apenas existe uma referenciação neurocrítica para as outras unidades hospitalares, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. O que, para Carlos Cortes, é «um sinal grave», pois «a rede de referenciação deve pugnar para que todos os cidadãos sejam tratados de forma equitativa, independentemente da localização geográfica e unidade de saúde».


Conteúdo Recomendado