Associação dos Arqueólogos preocupada com Parque Arqueológico do Côa

A Associação dos Arqueólogos Portugueses (AAP) está preocupada com a situação do Parque Arqueológico, Museu e Fundação do Côa, que enfrenta dificuldades financeiras devido ao corte de cinquenta por cento do seu orçamento, nos últimos anos.

A AAP foi recebida em Lisboa, em audiência, pelo ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, na última semana, a quem comunicou as principais preocupações relativas ao setor, de acordo com um comunicado enviado à agência Lusa.

No encontro com o ministro, segundo a direção da AAP, foi sublinhada a “particular preocupação pela situação do Parque Arqueológico, Museu e Fundação do Côa”, cujo orçamento tem vindo a ser reduzido desde 2010, para fazer face às despesas.

Na segunda-feira, o ministro da Cultura esteve em Vila Nova de Foz Côa, onde afirmou que o Governo vai manter o modelo de fundação para a gestão do Parque Arqueológico e do Museu e do Côa, embora sujeito a uma “profunda restruturação”.

Nas duas últimas audições, em que o atual ministro da Cultura foi questionado pelos deputados da comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, sobre esta matéria, a tutela garantiu que serão preservados os direitos dos trabalhadores e que está ser estudada uma solução para a Fundação Côa com os outros parceiros.

O capital social da Fundação está distribuído pela Direção-Geral do Património Cultural, a Agência Portuguesa do Ambiente e do Turismo Porto e Norte, a Câmara de Vila Nova de Foz Coa e a Associação dos Municípios do Vale do Côa.

A AAP também comunicou ao ministro Luís Filipe Castro Mendes outras preocupações, nomeadamente com “a gestão patrimonial das coleções arqueológicas acumuladas resultantes da intensificação dos trabalhos arqueológicos de campo, nomeadamente os que tiveram e têm lugar no cumprimento da legislação de mitigação dos impactes de grandes obras públicas”.

Apresentou ainda um alerta relativamente à “degradação da capacidade operacional do Centro Nacional de Arqueologia Naval e Subaquática”.

As várias questões foram enquadradas pelo “plano de salvaguarda do património e de relançamento da atividade arqueológica nacional” que a AAP considera indispensável promover e no qual se incluem ainda “a necessidade absoluta e urgente de proceder a reconfiguração do organismo de consulta do Governo em matéria de políticas arqueológicas, dotando-o da necessária representatividade social”.

A entidade recordou que, nos anos 1990, foi retirada a representação da AAP daquele organismo, o que consideram “um grave erro, que deve ser corrigido”.

No encontro com o ministro, a direção da entidade, presidida pelo José Morais Arnaud, entregou à tutela a declaração intitulada “O Património Arqueológico nacional: recurso estratégico do futuro”.




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