Promobiomasse caminha em direção a um mercado sustentável da biomassa

O projeto de cooperação europeia Promobiomasse apresentou ontem em Solsona (Lleida) um modelo de gestão para enfrentar os desafios do mercado da biomassa florestal e agrícola para uso energético.

A sede do Centro de Ciência e Tecnologia Florestal da Catalunha acolheu esta semana o terceiro Comité Técnico Transnacional do Promobiomasse, um projeto que pretende impulsionar o mercado energético da biomassa florestal e agrícola para uso energético no território SUDOE (sudoeste da Europa).

Ontem, a sociedade pública da habitação do Governo da Navarra NASUVINSA, que lidera o projeto, apresentou a minuta do Modelo Integrado de Gestão Sustentável do Mercado da Biomassa em Circuito Curto no espaço SUDOE, resultado de seis meses de trabalho do comité técnico do projeto.

Segundo uma nota informativa, o modelo de gestão apresentado consta de dez eixos ou linhas de trabalho que se concretizam em 63 medidas concebidas, tendo em conta os desafios do mercado florestal e agrícola da biomassa para uso energético local detetados, os conhecimentos e experiências dos peritos congregados em workshops de trabalho, as boas práticas estudadas e os documentos e planos estratégicos já existentes nas regiões participantes no projeto.

A proposta apresentada visa impulsionar o aproveitamento energético da biomassa florestal e agrícola como oportunidade de desenvolvimento local, favorecendo um modelo energético mais sustentável, que não comprometa os recursos florestais futuros e contribua para a luta contra as alterações climáticas.

Algumas das medidas enunciadas no modelo visam melhorar o conhecimento e a catalogação do recurso florestal de cada região através de sistemas de informação geográfica e novas tecnologias; conseguir uma gestão do recurso florestal regional sustentável do ponto de vista ambiental, económico e social; reforçar a aceitação social da exploração florestal e da biomassa energética; e facilitar o acesso e a mobilização do recurso florestal através do investimento em infraestruturas, as modificações legislativas ou as inovações tecnológicas.

O modelo apresentado pretende também apoiar o setor empresarial florestal e apostar numa profissionalização de toda a cadeia de valor, desde a gestão dos montes e dos cultivos e da tecnificação da exploração, até uma procura exigente de aparas certificadas. Para além disso, o modelo inclui medidas para promover instalações-modelo a partir do setor público e incentivar, por parte da Administração, o fornecimento energético baseado na biomassa em instalações privadas, residenciais e industriais, refere a Promobiomasse.

Partindo deste modelo integral, em cada região participante no projeto será definido um plano de ação local que tenha em consideração a realidade florestal, a regulação e a organização administrativa de cada território.

 

Hoje, técnicos e parceiros participantes na reunião de Solsona visitam duas boas práticas relacionadas com o aproveitamento energético da biomassa. De manhã, seguem viagem até Berga (Barcelona), onde terão a oportunidade de ver em ação o projeto da Mancomunitat de Municipis Berguedans, um modelo de gestão florestal integral baseado na valorização dos recursos naturais locais e o seu aproveitamento em 13 caldeiras de biomassa municipais e uma rede de calor que funciona com óleo térmico, explica a mesma fonte.

 À tarde, visitarão o centro logístico do Serviço Público Comarcal de Biomassa Florestal situado em Terrassa (Barcelona), com uma capacidade de produção de 6.650 toneladas de aparas por ano.

 

No projeto Promobiomasse participam como parceiros o Centro de Ciencia y Tecnología Forestal de Cataluña (CTFC), a sociedade pública do Governo da Navarra Navarra de Suelo y Vivienda, SA (NASUVINSA), a Agencia Extremeña de la Energía (AGENEX), a Agência Regional de Energia e Ambiente do Interior (ENERAREA), do norte de Portugal, a Communauté de Communesdu Plateau de Lannemezan (CCPL), do departamento francês de Hautes-Pyrénées, e a Association des Communes Forestières des Pyrénées Atlantiques (COFOR64), dos Pirenéus Atlânticos, para além de 19 entidades associadas.




Conteúdo Recomendado