Projecto LAR nasce para acolher e integrar refugiados e migrantes na Ima (Jarmelo)

Quatro famílias de refugiados e migrantes vão poder fixar-se e trabalhar numa aldeia do concelho da Guarda, no âmbito de um projeto-piloto desenvolvido por uma jovem defensora dos direitos humanos, foi hoje anunciado.

A ideia partiu de Bárbara Moreira, que decidiu aplicar um plano que possibilite um futuro mais risonho para quem tenta refazer a vida num país diferente.

O denominado Projeto LAR (‘Love And Respect’) está a ser desenvolvido na aldeia de Ima, na freguesia de São Pedro do Jarmelo, que tem cerca de 30 habitantes e dista 15 quilómetros da cidade da Guarda.

“A escolha da Guarda prende-se, entre outros fatores, designadamente pela existência de terrenos aptos para cultivo, uma mão-de-obra rural muito envelhecida, bem como uma comunidade aberta ao rejuvenescimento do tecido social”, justificou Bárbara Moreira à agência Lusa.

Segundo a fundadora, o objetivo principal do projeto “é criar uma estrutura sustentável que dê a famílias de refugiados, migrantes e famílias altamente carenciadas do meio urbano, uma nova perspetiva para o futuro, ao capacitá-los com instrumentos e condições para que criem uma casa e uma vida nos países de acolhimento, solidificando razões que os façam querer ficar”.

O projeto-piloto irá consistir na integração de quatro famílias de refugiados e migrantes, em casas reabilitadas nas zonas limítrofes aos terrenos agrícolas que foram cedidos na zona da Guarda, no interior do país.

“Nos terrenos [com cerca de três hectares] vamos cultivar bagas de ‘goji’, groselha e açafrão para comercialização e meio hectare de horta para consumo próprio e venda nos mercados locais. Estas três culturas foram selecionadas pela sua rentabilidade, por se adaptarem às qualidades da terra e, no caso do açafrão, por apresentar resultados após apenas um ano”, disse Bárbara Moreira.

De acordo com a responsável, o modelo de negócio terá como parceiro um grupo alimentar da área do retalho, “que irá assegurar o escoamento dos produtos (‘goji’ e groselha preta) durante seis anos”, garantindo, desta forma, a remuneração dos utentes e facilitando a viabilidade financeira do projeto a médio e a longo prazo.

A mentora do Projeto LAR acredita que a integração eficaz dos futuros beneficiários “irá levar ao repovoamento do meio rural”, com a criação de postos de trabalho, à revitalização do tecido populacional e à dinamização da aldeia de Ima, na Guarda.

“Nós temos previsto ter as casas habitadas pelas famílias [participantes no projeto-piloto] até dezembro de 2018”, adiantou Bárbara Moreira.

O valor da reabilitação das quatro casas e o investimento a realizar nos primeiros dois anos está calculado em 250 mil euros, existindo já “uma parte desse valor”, disse.

A mentora da iniciativa adiantou ainda que estão estabelecidas parcerias com entidades como o Alto Comissariado para Migrações, o Serviço Jesuíta aos Refugiados e a Plataforma de Apoio aos Refugiados, entre outras.

A Habitat for Humanity ficará encarregue da reabilitação, a custo reduzido, das casas a ocupar pelas famílias participantes na iniciativa, referiu.

Para dar corpo ao projeto, a equipa fundadora criou recentemente a AIIR – Associação de Apoio à Inclusão de Imigrantes e Refugiados, uma instituição particular de solidariedade social.




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