Produtor de vinho de Seia atingido pelos incêndios mantém aposta no setor

Apesar dos prejuízos, o produtor, que há quatro anos trocou as funções de diretor de negócio numa das maiores empresas do setor dos vinhos e resolveu recuperar e retomar o negócio.

Um produtor de vinho do concelho de Seia, na Serra da Estrela, que teve prejuízos nos incêndios de 2017, anunciou hoje que continua a apostar no setor e a acreditar nas potencialidades da região.

Os incêndios que nos dias 15 e 16 de outubro de 2017 atingiram a zona da Serra da Estrela destruíram parcialmente uma vinha da Casa de São Matias, situada em Tourais, no concelho de Seia, na região vitivinícola do Dão.

“Perdemos um terço daquilo que plantámos”, disse hoje à agência Lusa o empresário António Montenegro.

“Foi duro. Foi um investimento que fizemos e que perdemos, mas a vida é isto mesmo. Temos que nos reorganizar. Vamos replantar no primeiro trimestre do próximo ano”, disse o responsável, vaticinando que os prejuízos se situam “na casa dos 15 mil euros”.

Em 2017, com o objetivo de começar a preparar o lançamento de uma gama ‘ultra premium’, António Montenegro aplicou “algumas dezenas de milhares de euros na plantação cuidada de três novos hectares de vinha com as castas Encruzado, Touriga Nacional e Jaen”, que acabaram por ser parcialmente dizimados pelas chamas.

Apesar dos prejuízos, o produtor, que há quatro anos trocou as funções de diretor de negócio numa das maiores empresas do setor dos vinhos e resolveu recuperar e retomar o negócio do vinho, (com enorme tradição na família Montenegro, que durante três séculos passou por seis gerações), continua a acreditar no projeto familiar e nas potencialidades da Sub-Região da Serra da Estrela.

A Casa de São Matias, que compra uvas aos viticultores daquela Sub-Região, com quem celebrou acordos de longo prazo, continua determinada a manter a aposta.

“Há muitos pequenos viticultores. Nós compramos uvas nestes pequenos viticultores e tem corrido bem, felizmente. Gosto de apoiar os viticultores e de valorizar o que eles produzem e é o que temos feito e espero ter capacidade para o continuar a fazer”, disse.

A Casa de São Matias é o ponto central de um negócio que foi retomado com um investimento inicial de meio milhão de euros e que colhe, em 11 hectares de vinhas alugadas, as uvas que dão origem a uma produção de aproximadamente 100 mil garrafas por ano.

O portfólio atual de cinco vinhos chega já a seis mercados externos (Estados Unidos da América, Bélgica, Alemanha, Brasil, Polónia e Suíça).
“Em termos internacionais, todos os anos temos conquistado um novo país”, disse António Montenegro.

Segundo a empresa, a exportação representa cerca de 20% do volume de negócios.

“Queremos, no futuro, também lançar um espumante e conquistar novos países e novas geografias. É muito importante diversificar o nosso negócio, não depender em exclusivo de um só mercado, até para salvaguardar o futuro e, de alguma forma, contribuir para a melhoria do preço médio do vinho na região, que ainda é baixo”, concluiu o produtor da região de Seia, no distrito da Guarda.

São Matias Rosé 2016, São Matias Branco 2016, São Matias Tinto 2014, são as novas colheitas, estando ainda previsto para novembro o lançamento de uma edição limitada de 1.300 garrafas da nova referência São Matias Touriga Nacional 2015.




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