Plantar uma árvore é «um acto de civismo»

Campanha de reflorestação do distrito promovida pelo Governo Civil da Guarda está no terreno até 21 de MarçoA campanha de reflorestação promovida pelo Governo Civil já está em curso no distrito da Guarda. Na semana passada, foram lançadas à terra as primeiras árvores das 170 mil que está previsto plantar até 21 de Março, o […]

Campanha de reflorestação do distrito promovida pelo Governo Civil da Guarda está no terreno até 21 de MarçoA campanha de reflorestação promovida pelo Governo Civil já está em curso no distrito da Guarda. Na semana passada, foram lançadas à terra as primeiras árvores das 170 mil que está previsto plantar até 21 de Março, o Dia Mundial da Árvore. As iniciativas envolveram alunos, professores, idosos, voluntários e entidades oficiais no Reboleiro (Trancoso), na Mata do Desterro (Seia), na cerca do antigo sanatório da Guarda, em Galisteu (Celorico da Beira), junto à Misericórdia da Mêda e em Aldeia do Bispo (Sabugal).

«É um acto de civismo», sublinhou Santinho Pacheco, na passada quinta-feira, enquanto plantava um carvalho no Parque da Saúde, onde os responsáveis da autarquia, da Segurança Social, do Politécnico, da GNR, da PJ, das IPSS, elementos da Protecção Civil, dos bombeiros e dos “Canarinhos” também responderam ao desafio. «O último Verão foi terrível em termos de fogos florestais e ainda há muito trabalho a fazer na prevenção. Uma boa forma de chegar às pessoas é levá-las a plantar uma árvore», considerou o Governador Civil. O comandante operacional distrital da Protecção Civil concorda: «Quem planta uma árvore sente-se ligado a ela, está, de certa forma, comprometido com a sua salvaguarda, pelo que alguma coisa pode mudar com esta iniciativa», acrescentou António Fonseca. Contudo, o responsável considera que o trabalho levado a cabo nos últimos anos nesta área tem tido alguns resultados.

«Apesar de ter havido muitos fogos no último Verão e da área ardida ter sido a maior do país, a verdade é que o número de incêndios baixou no distrito para metade comparativamente há 10 anos», referiu. Na sua opinião, o flagelo explica-se, além das condições atmosféricas, pela desertificação e envelhecimento da população, uma vez que «o abandono da terra leva ao aumento da continuidade florestal e de matos, potenciando o surgimento de mais material combustível». Para António Fonseca, «o cenário deste Verão teria sido muito pior se não tivesse havido mais investimento na prevenção e nos meios de combate aos incêndios». Mas, para substituir o cinza e negro que ficou, o Governador Civil quer mobilizar a sociedade para a plantação de árvores autóctones, como castanheiros e carvalhos. Nesse sentido, serão entregues algumas aos imigrantes que passam hoje pela fronteira de Vilar Formoso e aos condutores, no âmbito da tradicional acção de prevenção rodoviária.

Também os clientes do comércio tradicional da Guarda poderão receber uma árvore durante esta quadra em contrapartida por compras de determinado valor. «Ser-lhe-á entregue um vale que deverão trocar na Quinta da Maúnça, numa acção que tem o apoio da Associação Comercial», disse o Governador. Santinho Pacheco conta plantar 170 mil árvores pelo distrito e assumiu que esta campanha implica muito dinheiro. «Temos apoios da Autoridade Florestal Nacional e da Caixa do Crédito Agrícola, até de Espanha vão chegar árvores. Mas não chega e se não tivermos mais ajudas, vai ser terrível para os cofres do Governo Civil», admitiu. No último Verão arderam no distrito 24.071 hectares, o que representou a maior área ardida do país. Os concelhos de Seia, Gouveia, Figueira de Castelo Rodrigo e Almeida foram os mais afectados pelos fogos deste Verão.


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