Organizações promovem ação em Vilar Formoso em defesa dos lesados

Os organizadores pretendem que os emigrantes “tenham conhecimento do que ainda podem fazer” na defesa dos seus direitos e para que, pelo menos, beneficiem do “estatuto de vítima”.

A Confederação Nacional da Agricultura e outras organizações promovem esta sexta-feira, em Vilar Formoso, concelho de Almeida, uma iniciativa de informação aos emigrantes portugueses lesados pelos incêndios de 2017.

Na antiga fronteira de Vilar Formoso, no distrito da Guarda, às 12 horas, estarão representantes da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Associação Distrital dos Agricultores de Coimbra (ADACO) e Movimento Associativo de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões (MAAVIM), com sede em Tábua.

“Não se pode deixar esquecer a tragédia do ano passado”, disse hoje à agência Lusa João Dinis, da CNA, frisando que os promotores pretendem “informar os milhares de emigrantes”, radicados em diferentes países europeus, que ainda viajam de automóvel nesta época do ano para passar férias em Portugal.

Segundo o dirigente, “há muita coisa ainda pendente” relativamente às indemnizações às famílias e empresas prejudicadas pelos fogos de 2017, designadamente pelos que ocorreram em 15 e 16 de outubro, em cerca de 30 municípios da região Centro, a maioria deles no Interior.

Além da reconstrução de habitações destruídas pelas chamas, “a recuperação da floresta é outro problema sério”, sublinhou.

“Queremos que os emigrantes fiquem também desintoxicados da intensa propaganda”, disse João Dinis, criticando o Governo por anunciar “milhões de euros” de ajudas do Estado que, na sua opinião, “não têm chegado a muitas pessoas” que necessitam desses apoios financeiros.

Os organizadores pretendem que os emigrantes “tenham conhecimento do que ainda podem fazer” na defesa dos seus direitos e para que, pelo menos, beneficiem do “estatuto de vítima”, disse à Lusa Nuno Pereira, do MAAVIM.

“Alguns que estão fora do país continuam cá com a sua primeira habitação”, referiu.

Outro dos objetivos da ação é evitar que os emigrantes “levem o resto da família” para os países onde residem, por dificuldades que perdurem quanto a serem ressarcidos dos prejuízos materiais e humanos originados pelos incêndios, sobretudo em outubro de 2017, numa altura em que “muitos deles já não estavam de férias em Portugal”, realçou Nuno Pereira.

Também no sábado, às 15 horas, as mesmas organizações realizam idêntica ação em Oliveira do Hospital, à chegada da Volta a Portugal em Bicicleta, no final de uma etapa de solidariedade com as populações afetadas pelos incêndios em que estará presente o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.




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