Guarda desafeta área do domínio público para eventual localização de Centro de Exposições

O município decidiu, com o voto contra do PS, proceder “à transferência do domínio público de uma área de dez mil metros [quadrados] para o domínio privado do município”.

A Câmara Municipal da Guarda deliberou na sexta-feira, por maioria, desafetar do domínio público uma área de dez mil metros quadrados do Parque Urbano do Rio Diz, para eventual construção do futuro Centro de Exposições Transfronteiriço (CET).

A decisão foi tomada numa reunião extraordinária do executivo municipal presidido pelo autarca social-democrata Carlos Chaves Monteiro.

O município decidiu, com o voto contra do PS, proceder “à transferência do domínio público de uma área de dez mil metros [quadrados] para o domínio privado do município”.

“Com esta deliberação da Câmara [Municipal da Guarda], estamos única e simplesmente a ampliar a área suscetível de ser instalado e construído um CET, se for esta a solução”, explicou aos jornalistas, no final da sessão.

Carlos Chaves Monteiro indicou que caso o Parque Urbano do Rio Diz seja escolhido para acolher o CET, ainda será necessário dar vários passos e alterar o seu Plano de Pormenor.

Em fevereiro, o executivo tinha aprovado, por unanimidade, que o equipamento seria construído no espaço de uma antiga fábrica têxtil, na zona do Rio Diz.

No entanto, o autarca contou que tal solução foi inviabilizada dado que o espaço, que foi adquirido em 2001 pelo então executivo socialista, pelo valor de dois milhões de euros, nunca foi escriturado e o assunto vai ser discutido pela via judicial.

Depois dos entraves à instalação do equipamento na área da antiga fábrica, o município tem de escolher outra localização de acordo com um estudo que apontou sete localizações possíveis.

O estudo apresentado ao município referenciou o Parque Urbano do Rio Diz, o Estádio Municipal, o espaço da feira quinzenal, a área das antigas fábricas Tavares e Delphi e a Quinta da Maunça, entre outras.

Segundo o estudo, a proposta mais barata, que sugeria a instalação do CET no Parque Urbano do Rio Diz representa um investimento de 10,2 milhões de euros, e a mais cara, que apontava para o Estádio Municipal, envolve custos globais de 21,5 milhões de euros.

Carlos Chaves Monteiro referiu que o Parque Urbano do Rio Diz é “uma das possibilidades” para a construção do CET e, com a deliberação tomada, o município está a “ampliar a possibilidade” de ser ali edificado.

O autarca admite que o local é “uma possibilidade forte, suscetível de satisfazer os interesses e as necessidades da Guarda e valorizar o tecido económico, cultural e científico”.

O CET será um espaço multiusos para acolher vários eventos e as duas feiras realizadas anualmente pela autarquia em tendas – a Feira Ibérica de Turismo e a Feira Farta.

A vereadora do PS Cristina Correia votou contra a posposta de desafetação da parcela de terreno do domínio público do Parque Urbano do Rio Diz, “não por ser contra o pavilhão multiusos, mas sim pelo sítio escolhido”.

A vereadora, que esteve sozinha na sessão, dada a ausência do eleito socialista Eduardo Brito, disse ainda que com a eventual construção do CET naquele espaço o local “vai ficar descaracterizado”.



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