Fundação do Côa vai cartografar território com equipa de investigação multidisciplinar

O ministro da Ciência e Tecnologia desafiou investigadores portugueses e estrangeiros a apresentarem projetos ligados às novas tecnologias espaciais, para ajudarem ao desenvolvimento científico e cartográfico do território do Vale do Côa.

O ministro da Ciência e Tecnologia, Manuel Heitor, anunciou ontem que a Fundação Côa Parque vai liderar uma equipa multidisciplinar de investigadores, ligados às tecnologias espaciais e à arqueologia, como missão de cartografar digitalmente o Vale do Côa.

“O desafio para a constituição desta equipa multidisciplinar foi lançado há pouco mais de uma mês e junta vários especialistas, desde arqueólogos, biólogos, geólogos, agrónomos ou investigadores aeroespaciais, e vai ser coordenada pela Fundação Côa Parque [FCP], juntado especialistas de várias instituições académicas e científicas”, concretizou o governante.

Os investigadores são oriundos do Centro de Engenharia e Desenvolvimento (CEIIA), situado em Matosinhos, da Universalidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e do Instituto Politécnico de Bragança (IPB).

“A ideia passa por fazer um mapeamento detalhado de todo o Vale do Côa, usando vários tipos de equipamentos dotados de sensores, como balões, drones ou satélites, para depois se utilizar todas a informação recolhida para, posteriormente, ser processada e catalogada, para ganhar valor científico e económico”, indicou Manuel Heitor.

O anúncio foi feito durante a sessão comemorativa dos 25 anos da criação do Ministério da Ciência e Tecnologia (1995-2020) e do 10.º aniversário do Museu do Côa, em Vila Nova de Foz Côa.

O ministro da Ciência e Tecnologia, Manuel Heitor, desafiou, no passado dia 20 de junho, investigadores portugueses e estrangeiros a apresentarem projetos ligados às novas tecnologias espaciais, para ajudarem ao desenvolvimento científico e cartográfico do território do Vale do Côa, o que foi desde logo aceite pela comunidade científica.

“Esta equipa terá igualmente a função de catalogar todo o território do Vale do do Côa, tendo em vista o aparecimento de novas rochas com gravuras rupestres, ainda não identificadas. Outras das funções é a valorização agrícola e turística deste território”, enfatizou.

Para o governante, o importante nesta área de investigação científica é perceber a evolução do território do Vale Côa, ao longo dos séculos, para assim identificar novas rochas e, consequentemente, novas figuras rupestres.

Inscrito na lista de Património da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), desde 1998, o Vale do Côa é considerado “o mais importante sítio com arte rupestre paleolítica ao ar livre”, a nível mundial.

O sítio arqueológico divide-se em dois eixos fluviais principais: 30 quilómetros ao longo do rio Côa, com os sítios da Faia, Penascosa, Quinta da Barca, Ribeira de Piscos, Canada do Inferno, e 15 quilómetros pelas margens do rio Douro, nas áreas de Fonte Frireira, Broeira, Foz do Côa, Vermelhosa, Vale de José Esteves e Vale de Cabrões.

Do território do Vale do Côa fazem parte seis concelhos: Almeida, Mêda, Pinhel, Sabugal, Figueira de Castelo Rodrigo e Vila Nova de Foz Côa, no distrito da Guarda.




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