Figuras da ditadura dão nome a ruas em pelo menos 78 concelhos do país

O nome Óscar Carmona sucedeu ao marechal Gomes da Costa, cujos topónimos se encontram em Pinhel ou na Covilhã.

Quarenta e quatro anos após o fim da ditadura em Portugal, as figuras principais do regime mantêm-se presentes em ruas de pelo menos 78 concelhos do país e 15 delas têm o nome de Salazar.

Entre ruas, largos, praças, avenidas, parques, travessas, pracetas e becos, mais de uma centena de topónimos associados a protagonistas do Estado Novo permanece no espaço público, subsistindo à iniciativa de apagar, após o 25 de Abril de 74, a ideologia política e as memórias dos 41 anos de ditadura, de acordo com a base de dados dos CTT facultada à agência Lusa.

Há 15 ruas que mantêm o nome de António de Oliveira Salazar, o estadista que mais tempo governou Portugal, desempenhando funções entre 1932 e 1968, primeiro como ministro das Finanças e depois como primeiro-ministro.

À procura de Salazar, este roteiro pelo Estado Novo começa em Vila Flor (distrito de Bragança) e segue para Santo Tirso e Igreja, em Vila Nova de Gaia (Porto). Já no distrito de Viseu, passa por Vila Seca e Armamar, no concelho de Armamar, Carregal do Sal (sede de concelho), Castainço, no município de Penedono, e no Vimieiro, no concelho de Santa Comba Dão, de onde Salazar era natural.

O nome está ainda em placas toponímicas de Cafede, em Castelo Branco; Barreiros e Monte Real, no concelho de Leiria; Ansião (distrito de Leiria); Santa Cita, em Tomar (Santarém); Dagorda, no Cadaval (Lisboa) e Clara-a-Velha, em Odemira (Beja).

A Salazar sucedeu Marcelo Caetano, o último primeiro-ministro do Estado Novo, até à revolução do 25 de Abril de 1974. A ele ligadas existem 11 placas toponímicas (desde ruas a uma avenida, uma praceta, um largo e um beco) na Maia (Porto), Pombal e Peniche (Leiria), Tomar (Santarém) e Cadaval, Cascais e Sintra, (Lisboa).

No caso do Cadaval, o nome de Marcelo Caetano dá nome a três espaços.

O general Óscar Carmona, Presidente da República entre 1926 e 1951, dá nome a nove ruas, a começar na Maia e Vila Nova de Gaia (Porto), Anadia (Viseu), Covilhã (Castelo Branco), Almeirim (Santarém), Cascais (Lisboa), Odemira (Beja) e Tavira (Faro).

Óscar Carmona sucedeu ao marechal Gomes da Costa, cujos topónimos se encontram em Póvoa de Lanhoso (distrito de Braga); Porto, Matosinhos, Paredes e Vila Nova de Gaia (Porto); Tondela (Videu), Soure (Coimbra); Leiria e Alcobaça (Leiria); Pinhel (Guarda); Almeirim e Vila Nova da Barquinha (Santarém); Lisboa, Odivelas, Cascais, Oeiras, Sintra, Loures e Sobral de Monte Agraço (Lisboa); Grândola (Setúbal); Monforte e Nisa (Portalegre); Vendas Novas (Évora); Beja e Ferreira do Alentejo (Beja); Tavira e Portimão (Faro).

Mais de meia centena de ruas nos distritos de Bragança, Vila Real, Viana do Castelo, Porto, Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Leiria, Santarém, Lisboa, Évora, Beja e Faro têm o nome de Duarte Pacheco, que se destacou como ministro das Obras Públicas e engenheiro, ao contribuir para vários projetos no país, como o do aeroporto de Lisboa e a Ponte Salazar, mais tarde designada por Ponte 25 de Abril, que liga Lisboa a Almada.

Entre as várias figuras, destacam-se ainda as ruas com o nome Aristides de Sousa Mendes – por exemplo, em Alcácer do Sal (Setúbal), Beja ou Odemira -, pelo facto de o cônsul de Portugal em França ter concedido, à revelia de Salazar, vistos de entrada em Portugal a judeus, que fugiam ao exército alemão nazi, durante a Segunda Guerra Mundial.

Além da toponímia, há diversos locais onde a presença das figuras do Estado Novo está bem presente, como a estátua do marechal Gomes da Costa, em Braga, a ponte Duarte Pacheco, em Penafiel (Porto), o viaduto Duarte Pacheco, em Lisboa, ou o aeroporto da capital – Humberto Delgado.




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