Sabugal pede ao Governo regulação independente de transvases de água da barragem

Habitantes e autarcas do Sabugal decidiram ontem, dia 25 de setembro, enviar uma exposição ao próximo Governo, a pedir a “regulação independente” de transvases de água e a “redefinição de níveis mínimos” na albufeira da barragem local.

O documento, a enviar aos ministros da Agricultura e do Ambiente do Governo que sair das eleições do dia 06 de outubro, foi aprovado numa reunião que juntou cerca de oitenta pessoas.

A “audição pública” decorreu ontem no pavilhão da Junta de Freguesia do Sabugal, por iniciativa da Associação Malcata com Futuro (AMCF), da União de Freguesias de Sabugal e Aldeia de Santo António e das Juntas de Freguesia de Malcata, Quadrazais, Foios e Vale de Espinho.

Na exposição que vai ser enviada ao Governo lê-se que as freguesias “mais diretamente afetadas pela sangria do rio Côa, têm toda a legitimidade para exigir” a “regulação independente sobre transvases e sobre a utilização da água” no regadio da Cova da Beira, que é assegurado pela barragem que foi inaugurada no ano 2000.

É também exigida a “redefinição de níveis mínimos” que garantam a concretização do Plano de Ordenamento da Albufeira e a elaboração de um Plano de Recuperação, de Valorização e de Gestão Otimizada dos Recursos Hídricos.

Os subscritores pedem, ainda, que seja efetuado um Estudo de Impacto Ambiental “que esteja disponível antes da emergência de outros projetos de irrigação na Cova da Beira e na Gardunha”.

A construção de açudes, a limpeza de linhas de água e a recuperação de represas fazem também parte das reivindicações a apresentar ao Governo.

“Basta de sangria e de utilização ineficiente de recursos escassos na origem. Justifica-se o reenquadramento da albufeira do Sabugal no Aproveitamento Hidroagrícola da Cova da Beira”, é igualmente defendido.

José Escada, presidente da AMCF, disse à agência Lusa que vão ser recolhidas assinaturas em vários locais do concelho “até ser conhecido o novo Governo”.

“Pretendemos fazer chegar a exposição [aos ministros da Agricultura e do Ambiente] logo nos primeiros dias do novo Governo”, disse.

A AMCF denunciou este mês que a falta de água na barragem do Sabugal advém da realização de “transvases errados e iníquos” para o regadio da Cova da Beira.

Segundo esta associação sem fins lucrativos, com sede na aldeia de Malcata, no concelho do Sabugal, a situação verificada na barragem “conjuga perigo, falta de água de abastecimento público, biodiversidade em perda” e “desolação”.

“Tudo consequência de transvases errados e iníquos, associados às condições de exploração do conjunto hídrico: Albufeira do Sabugal + Albufeira da Meimoa [que integra o Regadio da Cova da Beira]”, justificou a direção da associação.

A AMCF esclareceu que os transvases entre as albufeiras do Sabugal e da Meimoa são geridos pela Associação de Beneficiários do Regadio da Cova da Beira e que esta “decide unilateralmente, sem estar submetida a qualquer regulação”.

A Câmara Municipal do Sabugal não esteve representada na audição pública, mas José Escada esclareceu que o seu presidente, António Robalo, foi convidado “para abrir a sessão”.




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