Covid-19: Enfermeiros exigem “clarificação” das razões de demissão na ULS da Guarda

“Esta situação gera alguma instabilidade no seio dos profissionais e dos utentes da ULS e sem razões substantivas para tal” refere Honorato Robalo, dirigente nacional do SEP no distrito da Guarda.

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) exigiu ontem a “clarificação” da demissão da comissão covid-19 na Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda, por considerar que a situação provoca “alguma instabilidade” junto de utentes e de profissionais.

“Esta situação gera alguma instabilidade no seio dos profissionais e dos utentes da ULS e sem razões substantivas para tal. O SEP exige, pelo interesse de todos, que seja feita uma clarificação junto dos trabalhadores e da população”, disse à agência Lusa Honorato Robalo, dirigente nacional do SEP no distrito da Guarda.

Segundo o sindicalista, os elementos do Conselho de Administração (CA) da ULS e da comissão covid-19 “são todos profissionais da ULS da Guarda e seria bom que houvesse uma explicação a todos os trabalhadores” da instituição.

A comissão criada na ULS/Guarda para coordenar a resposta à pandemia da covid-19 demitiu-se em bloco após “uma situação de divergência” com a administração.

O diretor do serviço de pneumologia e coordenador da equipa multidisciplinar para a covid-19 naquela unidade de saúde, Luís Ferreira, referiu hoje à Lusa que, na segunda-feira, pediu a demissão de coordenador e os restantes elementos foram solidários e também se demitiram de funções.

Luís Ferreira apresentou a demissão de presidente da comissão covid-19 porque “ocorreu uma situação de divergência” com um elemento da administração da ULS da Guarda, sem especificar.

“Ocorreu uma situação de divergência em que eu achei que foi clara uma desconsideração para comigo, na qualidade de presidente da comissão, e não podia ser conivente com essa situação e tomei a decisão que achei mais adequada, que foi pedir a demissão, que é um ato absolutamente legítimo”, explicou.

O dirigente do SEP Honorato Robalo considera que apesar de o país se encontrar na terceira fase de desconfinamento, a pandemia causada pela covid-19 “ainda não terminou” e sendo o hospital da Guarda “um dos hospitais de referência covid-19” a demissão em bloco da comissão “criou ruído de fundo”.

“O SEP preocupa-se que, no contexto de uma pandemia, não haja organização formal entre os diversos responsáveis, quer do CA quer da comissão covid-19, que deveriam estar unidos numa exigência clara do investimento do Orçamento do Estado e de medidas concretas para debelar necessidades estruturais da ULS da Guarda, nomeadamente recursos humanos e equipamentos”, referiu o sindicalista.

A presidente do CA da ULS da Guarda, Isabel Coelho, explicou numa nota enviada às redações que a demissão da comissão covid-19 “partiu inicialmente do senhor coordenador da comissão, tendo os restantes membros sido solidários com este pedido”.

Isabel Coelho refere que o CA “nunca retirou a sua confiança a esta comissão ou a qualquer um dos seus membros em particular, antes pelo contrário, não se cansa de enaltecer e agradecer o seu trabalho exemplar ao longo destes difíceis meses”.

A comissão covid-19 foi criada pela ULS no início de março, altura em que o Hospital Sousa Martins foi indicado como hospital de “segunda linha” no combate à pandemia.




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