CIM das Beiras e Serra da Estrela rejeita conclusões de estudo ao estado da habitação

Segundo o IPG, “o número de famílias que vivem situações de grave carência habitacional na região das Beiras e Serra da Estrela ultrapassa os 30%”.

A Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela (CIM-BSE) rejeitou ontem as conclusões de um estudo do Instituto Politécnico da Guarda (IPG) que apontava que cerca de um terço dos habitantes vive “em condições indignas”.

Um comunicado do IPG divulgado no domingo referia que cerca de um terço dos habitantes das Beiras e Serra da Estrela “vivem em condições indignas” e em situação de “grave carência habitacional”.

Segundo o IPG, “o número de famílias que vivem situações de grave carência habitacional na região das Beiras e Serra da Estrela ultrapassa os 30%”, de acordo com estudos desenvolvidos por investigadores em projetos de investigação promovidos na Unidade de Investigação do Desenvolvimento do Interior daquela instituição de ensino superior.

A CIM-BSE reagiu em comunicado, afirmando que os autarcas “não podem aceitar” as conclusões do referido estudo e “manifestam a sua indignação face à notícia em causa por constituir ‘informação’ errónea e sensacionalista”.

Na nota, o presidente da CIM-BSE, Luís Tadeu, esclarece que “a informação veiculada baseia-se num comunicado do IPG que, supostamente, terá realizado um estudo ao estado da habitação na área das Beiras e Serra da Estrela”.

“Contudo, no desenvolvimento da notícia, é referido que o alegado estudo incidiu num único município, o que torna estranha a extrapolação dos dados para o conjunto do território de quinze municípios que compõem a CIM-BSE”, acrescenta.

Indica ainda que o município em causa “refere desconhecer as conclusões de tal investigação que nunca lhe terão sido apresentadas para validação”.

“Calcula-se que, nas análises efetuadas, os investigadores tenham tomado por habitação qualquer edifício degradado que tenha, em tempos, sido destinado a habitação, para terem chegado ao elevado nível de habitação degradada que enunciaram e publicitaram”, lê-se.

Ainda de acordo com a nota, “mercê do acentuado decréscimo populacional, existe no território um número considerável de edifícios em mau estado, os quais se encontram em grande parte devolutos”.

Os municípios da CIM-BSE reafirmam “o seu total e inequívoco compromisso com o bem-estar das populações, particularmente com o exercício do direito à habitação condigna, e encontram-se a delinear as suas estratégias locais de habitação para possibilitar candidaturas ao Programa 1.º Direito, procurando garantir o acesso de todas as famílias a uma habitação condigna”.

Os programas relacionados com a habitação e as metas para o futuro foram hoje discutidos no IPG, na conferência “Nova Geração de Políticas de Habitação”, que teve como oradora Ana Cruz, diretora de Gestão do Norte do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana.

Confrontado com a posição hoje assumida pela CIM-BSE, que também foi expressa na sessão pelo autarca Luís Tadeu, o presidente do IPG disse à agência Lusa que o estudo realizado pela instituição refere-se a municípios do distrito da Guarda e não, como foi divulgado, na área da CIM-BSE.

Joaquim Brigas referiu que o IPG, ao divulgar os resultados, apenas pretendeu contribuir para “melhorar as condições de vida das pessoas”.

“Estas problemáticas têm de ser estudadas, para depois [o IPG] dar a conhecer a quem de direito para que se possa intervir”, finalizou.




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