‘Canyoning’ na Serra da Estrela quer dar a conhecer recantos mais desconhecidos

O ‘canyoning’ é um desporto radical que implica ultrapassar obstáculos naturais num curso de água com a utilização do corpo e o respetivo equipamento, feito com o acompanhamento de monitores que garantam a segurança dos participantes.

Para aumentar a oferta turística na Serra da Estrela e explorar locais da montanha de difícil acesso, mais desconhecidos, a Federação de Desportos de Inverno (FDIP) disponibiliza, até outubro, um circuito de ‘canyoning’ na Ribeira de Cortes.


Perto das Penhas da Saúde, no concelho da Covilhã, num percurso de quatro horas, através do verdejante Vale das Cortes, que as chamas tinham danificado em 2017, é possível percorrer ravinas, descer cascatas, mergulhar em poços e piscinas naturais rodeados de imponentes rochas graníticas através de caminhadas em piso irregular e muito inclinado, rappel, outras manobras com cordas, saltos para a água e travessias pedonais aquáticas.


Segundo Pedro Farromba, presidente da FDIP, além de criar uma oferta inexistente na região, pretendeu-se aproveitar as condições naturais para a prática da modalidade, proporcionar uma nova experiência na Serra da Estrela e fazer com que os visitantes prolonguem a sua estadia.


“Ardeu uma parte importante, mas existe uma grande parte da serra que continua viva, que continua de braços abertos à espera que as pessoas a visitem todo o ano, porque em cada estação é diferente”, salientou, no passado dia 25 de agosto, Pedro Farromba, durante a apresentação do circuito de ‘canyoning’, a funcionar entre agosto em outubro.


Segundo o responsável federativo, a limitação temporal, tal como a grupos pequenos, entre quatro e 10 pessoas, tem em vista a preocupação com o impacto ambiental e o respeito pela fauna e pela flora, razão pela qual demorou dois anos a licenciar o percurso junto do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.


O ‘canyoning’ é um desporto radical que implica ultrapassar obstáculos naturais num curso de água com a utilização do corpo e o respetivo equipamento, feito com o acompanhamento de monitores que garantam a segurança dos participantes.


No circuito, o som ritmado das quedas de água em ravinas, difíceis visitar por outro meio, ou o verde ao redor das piscinas naturais de águas translúcidas contrastam com as cinzas que cobrem outras zonas da montanha, mas o presidente da FDIP enfatizou existir uma Serra da Estrela “que persiste em continuar a viver”, depois “da desgraça” das últimas semanas, e “com muitas zonas ainda por descobrir”.


Entre “belezas naturais”, os sons da natureza misturam-se com o tilintar dos mosquetões enquanto se avança para locais que poucos conhecem e que “surpreendem os visitantes”, frisou João Mota, um dos técnicos da FDIP.


“Esta é uma outra forma de descobrir tesouros escondidos na serra, alguns a que só com cordas se acede. A serra é muito conhecida pela neve, mas no verão ela também tem muitos encantos para desvendar”, acrescentou, à agência Lusa, o monitor.


A atividade é promovida pela Desafios de Inverno, empresa detida pela FDIP, que também gere a pista de gelo das Penhas da Saúde, a piscina localizada a poucos metros e o ‘bike center’, que nos dias 17 e 18 de setembro promove o passeio em bicicleta Transestrela.


A Serra da Estrela foi afetada por um fogo que deflagrou no dia 06 em Vila do Carvalho, na Covilhã, distrito de Castelo Branco, e as chamas estenderam-se ao distrito da Guarda, nos municípios de Manteigas, Gouveia, Guarda e Celorico da Beira, e atingiram ainda o concelho de Belmonte, mas Pedro Farromba destacou “o muito que ainda há para oferecer no território, apesar do incêndio”.


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