Beiras e Serra da Estrela congratula-se com abandono de extração de urânio

O presidente da CIMBSE disse que o projeto mineiro preocupava aquela entidade pela proximidade aos municípios de Almeida e de Figueira de Castelo Rodrigo.

O presidente da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela (CIMBSE) congratulou-se hoje com o anúncio da decisão do abandono do projeto de uma mina de urânio junto da fronteira com Espanha.

O Governo espanhol confirmou na segunda-feira o abandono do projeto da mina de urânio em Alameda de Gardón, na região de Salamanca, a cerca de dez quilómetros da fronteira com Portugal, explicando que a empresa promotora não tinha apresentado a documentação necessária para poder avançar com o projeto.

O presidente da CIMBSE, Carlos Filipe Camelo, que também é presidente da Câmara Municipal de Seia, disse hoje à agência Lusa que o projeto mineiro preocupava aquela entidade pela proximidade aos municípios de Almeida e de Figueira de Castelo Rodrigo.

“Era uma preocupação que tínhamos desde algum tempo a esta parte e sem dúvida nenhuma que rejubilamos com aquilo que possa ser essa tomada de posição do Governo espanhol”, declarou.

Carlos Filipe Camelo disse também à Lusa que aquela Comunidade Intermunicipal vai ficar atenta ao desenrolar da situação, alegando que “cautelas e caldos de galinha, como diz o povo, nunca fizeram mal a ninguém”.

A CIM-BSE, que tem sede na cidade da Guarda, é constituída por 15 municípios, sendo 12 do distrito da Guarda (Almeida, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Guarda, Gouveia, Manteigas, Meda, Pinhel, Seia, Sabugal e Trancoso) e três do distrito de Castelo Branco (Belmonte, Covilhã e Fundão).

A mina de Alameda de Gardón é um dos três empreendimentos mais avançados da empresa Barkeley, que tem um projeto de exploração de urânio a céu aberto que ocupa cerca de 450 hectares na região de Salamanca, Espanha.

A proximidade com a fronteira portuguesa tem preocupado associações ambientalistas, mas também deputados portugueses, tendo o parlamento aprovado várias recomendações a pedir a intervenção do Governo português junto do executivo espanhol para que o processo fosse travado.

Além do projeto de Alameda de Gardón, a empresa Barkeley tem também a mina de Retortillo, situada a cerca de 40 quilómetros da fronteira portuguesa.




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