BE questiona Governo sobre despedimentos na fábrica DURA Automotive da Guarda

O Bloco de Esquerda (BE) anunciou hoje que questionou o Governo sobre o despedimento de trabalhadores numa empresa de fabrico de acessórios e outros componentes para automóveis, situada em Vila Cortês do Mondego.

Numa pergunta enviada através da Assembleia da República, os deputados Isabel Pires e José Soeiro interrogam o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social sobre se tem conhecimento do processo de recuperação e de despedimento coletivo na empresa DURA Automotive – Indústria de Componentes para Automóveis, Lda., instalada na Guarda.

Segundo o BE, as informações que chegaram ao conhecimento do seu grupo parlamentar dão conta de que a unidade fabril, que “faz parte do chamado ‘cluster’ da indústria automóvel do concelho da Guarda, “está em risco de fechar”.

“Em conformidade com o que nos foi denunciado, se a DURA não conseguir novos contratos, existe a intenção de deslocalizar a produção para outras unidades do grupo, nomeadamente as da Alemanha”, lê-se no documento.

Os deputados do BE acrescentam que “quarenta pessoas já foram despedidas, no mês passado, no âmbito de um processo de despedimento coletivo que está agora a entrar numa segunda fase”.

Para Isabel Pires e José Soeiro, “é fundamental encontrar uma resposta para esta empresa que permita garantir a sua recuperação e a manutenção dos postos de trabalho, sob pena de se assistir a um enorme flagelo social na região”.

Assim, o BE pergunta ao Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social se “o Governo tem conhecimento desta situação” e “que medidas pretende tomar a tutela, em articulação com os órgãos dirigentes da empresa, com vista [a] contribuir para a sua recuperação e, assim, para a manutenção dos postos de trabalho”.

A fábrica DURA foi fundada em 1994, já chegou a ter mais de duas centenas de trabalhadores e “sempre foi uma indústria impulsionadora de emprego no distrito da Guarda”, lembra o partido.

De acordo com o BE, neste momento, a unidade fabril “tem pouco mais de 100 trabalhadores e corre o risco de deslocar a sua produção para a Alemanha, caso não ganhe encomendas”.

“Cerca de 40 trabalhadores receberam carta de despedimento e há uma grande inquietação em relação à manutenção dos postos de trabalho dos restantes e do impacto dessa situação nas suas famílias”, remata.

O Coordenador Distrital do BE – Guarda, Bruno Andrade, anunciou em comunicado que pediu, com “grau de urgência”, uma reunião à administração da empresa, mas ainda não obteve resposta.

Na última reunião do executivo municipal da Guarda, o presidente da autarquia, Álvaro Amaro (PSD), disse que, após ter sido alertado para o assunto, falou com o diretor da DURA, que lhe transmitiu “palavras de absoluta tranquilidade” em relação à situação da empresa.

O autarca explicou que “saíram pessoas por mútuo acordo”, não estando em causa um processo de despedimento coletivo, nem a deslocalização da empresa.

O vereador Pedro Fonseca (PS) disse ser necessário um esclarecimento por parte da direção da DURA “sobre o que se está a passar”, porque, em junho, participou numa reunião com a direção e a unidade estava “estável”.

O socialista diz que lhe custa “a crer que no espaço de três a quatro meses a empresa possa passar de uma situação estável para uma rutura quase total”.




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