Arqueólogos admitem que novos achados no Vale do Côa podem datar do Paleolítico Médio

Arqueólogos do Vale do Côa admitiram pela primeira vez terem descoberto ao longo do ano novos sítios cuja data pode ir até ao Paleolítico Médio, disse à Lusa o diretor do Parque Arqueológico do Côa, Martinho Batista.

Segundo o também arqueólogo, a campanha de sondagem e prospeção revelou achados do “período grafetense”, com cerca de 30 mil anos, e provavelmente com níveis de ocupação até anteriores, o que será depois apurado com novas escavações agendadas para 2015.

O anúncio foi feito numa altura em que assinalam 20 anos sobre as primeiras descobertas da Arte do Côa e os 16 anos da sua classificação como Património Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

“Retomámos alguns trabalhos arqueológicos que é fundamental manter e mantemos equipas de técnicos em permanência no terreno e no sítio da Cardina, onde foram feitas duas campanhas de prospeção arqueológica, o que revelou um fundo de cabana idêntico aos raríssimos que há em toda a Europa”, descreveu.

A confirmar-se, a descoberta poderá provar que o Vale do Côa já era ocupado antes do período das gravuras rupestres, um dado “muito importante”.

Os arqueólogos admitem mesmo que fundos de cabana como os agora encontrados no Vale do Côa podem ir até à época do homem de Neandertal, ou seja, até quase 50 mil anos atrás ou até mais.

“Destes fundos de cabana do Paleolítico haverá quatro ou cinco exemplares em toda a Europa”, enfatizou Martinho Batista.

O novo local identificado está numa área de confluência entre os granitos e os xistos na região do Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC).

“Com esta campanha de prospeção, escavação e levantamento de novos sítios, o espólio Museu do Côa vai ser permanentemente atualizado”, referiu, explicando que falta especificar a datação dos materiais e do sítio descobertos.

Durante o fim de semana houve visitas guiadas gratuitas ao MC e PAVC e na terça-feira o dia será reservado as escolas.

O PAVC assinala até terça-feira a passagem de duas décadas sobre a descoberta da Arte do Côa, que em 1994 provocou uma polémica cultural e política que ultrapassou as fronteiras nacionais.

Segundo os especialistas, ali se encontrava o maior museu ao ar livre do Paleolítico de todo o mundo, que em 1998 recebe mesmo a classificação de Património Cultural da Humanidade pela UNESCO.




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