Abílio Curto diz que Portugal “fica mais pobre” com a partida de Mário Soares

O socialista e antigo presidente da Câmara da Guarda Abílio Curto disse à agência Lusa que, com a morte de Mário Soares, o país perdeu “um homem que lutou pela liberdade” e “fica mais pobre”.

Abílio Curto, que reagiu à morte do antigo Presidente da República com emoção e como “um filho que perde um pai espiritual”, disse que Mário Soares “foi sempre fixe”.

O antigo autarca lembra que Mário Soares “foi sempre um homem que lutou pela liberdade, lutou pelo socialismo democrático, foi um político, um estadista português, europeu, mundial. Eu diria que Portugal fica mais pobre”.

“A liberdade fica segura com a mensagem que ele sempre nos deixou, com o seu espírito de guerreiro, de combatente, de homem ‘antes quebrar do que torcer’, de um amigo, de um camarada, de um homem que nos ensinou a ser livres, tolerantes, dialogantes, que nos ensinou como é que devíamos tratar os nossos adversários políticos. Um homem que deixou um legado para todos os portugueses livres, democratas”, disse.

Abílio Curto lembra Soares como “o pilar da democracia portuguesa” e como o político que abriu “as portas” do país para a Europa.

“Ficará na História portuguesa como um homem de Abril e antes de Abril. Foi um homem que lutou sempre pelas grandes causas, pelos pobres, pelos desprotegidos, por aqueles que eram sempre ostracizados em tempos de ditadura”, rematou.

O antigo autarca da Guarda lembrou ainda três momentos importantes da presença de Mário Soares na cidade mais alta do país: em 1977 (como primeiro-ministro, nas comemorações do 10 de Junho; em 1988 (como Presidente da República, numa Presidência Aberta) e em 1993 (como Presidente da República, na inauguração do atual edifício dos Paços do Concelho).

Mário Soares morreu no passado sábado, dia 7 de janeiro, aos 92 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, onde estava internado há 26 dias, desde 13 de dezembro.

O Governo decretou três dias de luto nacional, a partir de hoje.

Soares desempenhou os mais altos cargos no país e a sua vida confunde-se com a própria história da democracia portuguesa: combateu a ditadura, foi fundador do PS e Presidente da República.

Nascido a 07 de dezembro de 1924, em Lisboa, Mário Alberto Nobre Lopes Soares foi fundador e primeiro líder do PS, e ministro dos Negócios Estrangeiros após a revolução do 25 de Abril de 1974.

Primeiro-ministro entre 1976 e 1978 e entre 1983 e 1985, foi Soares a pedir a adesão à então Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1977, e a assinar o respetivo tratado, em 1985. Em 1986, ganhou as eleições presidenciais e foi Presidente da República durante dois mandatos, até 1996.



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