Setor dos resíduos tem impacto total de 5,4 mil ME na economia

A atividade do setor dos resíduos tem um impacto, direto e indireto, de 5,4 mil milhões de euros por ano na economia portuguesa e gera 64 mil empregos, concluiu um estudo hoje divulgado.

Promovido pela Associação Smart Waste Portugal e realizado por consultores liderados por Augusto Mateus, o estudo traça um retrato do setor dos resíduos, com base em dados de 2014, e lista alguns pontos para uma estratégia até 2030, para concretizar a economia circular, que aposta na reutilização ou reciclagem do lixo, depois integrado nas matérias-primas, para preservar os recursos naturais.

O “Estudo sobre a Relevância e o Impacto do Setor dos Resíduos em Portugal na Perspetiva de uma Economia Circular” estima que a atividade desta área tenha gerado, em 2014, uma produção adicional na economia portuguesa de cerca de 2,9 mil milhões de euros, a que corresponde um Valor Acrescentado Bruto (VAB) de 1,3 mil milhões de euros, e cerca de 41 mil postos de trabalho, requerendo um acréscimo de importações de cerca de 657 milhões de euros.

Naquele ano, o setor dos resíduos era formado por 2.705 entidades, que empregavam cerca de 23 mil trabalhadores e faturaram quase 2,5 mil milhões de euros.

Mas, quando é analisado o impacto da atividade do setor dos resíduos, de forma direta, indireta e induzida, a produção total atinge cerca de 5,4 mil milhões de euros e 64 mil empregos, segundo as contas da equipa de Augusto Mateus.

O setor foi responsável por cerca de 167 milhões de euros de investimento.

Os autores do estudo referem que em 2014 o saldo comercial do setor era excedentário em 249 milhões de euros, dos quais 126 milhões relacionados com a valorização de materiais, “demonstrando a capacidade dos materiais valorizados competirem internacionalmente”.

Naquele ano, foram produzidos 14,6 milhões de toneladas de lixo, dos quais 4,7 milhões eram urbano e 9,9 milhões referia-se a resíduos setoriais.

Do total, foram valorizados 75% dos resíduos, ou 10,8 milhões de toneladas – destes 66% tiveram como destino a valorização material e os restantes 9% a valorização energética -, enquanto 22% ainda vai para aterro.

Dos resíduos não valorizados, 2,3 milhões de toneladas são lixo urbano e 1,4 milhões são resíduos setoriais, “o que constitui um enorme desperdício e oportunidades não aproveitadas”, considera o trabalho.

Segundo as estatísticas oficiais disponíveis, cuja “robustez” levanta algumas dúvidas aos autores do estudo, Portugal produz por ano cerca de quatro quilogramas de resíduos setoriais por trabalhador, um número cinco vezes menor que a média europeia.

Os setores que mais resíduos valorizam relativamente àquilo que produzem, contribuindo para uma maior circularidade económica, são os da madeira e cortiça (93,8%), das máquinas, equipamentos e material de transporte (93,4%) e dos minerais não metálicos (91,3%), lista o estudo.

Nos últimos lugares da lista, aparecem os setores da eletricidade, gás e água quente (18,4%) e o das petrolíferas (40,3%).

O estudo aponta entre as áreas prioritárias de atuação para o contributo para a economia circular a fabricação de máquinas, equipamentos e material de transporte, a construção, das metalúrgicas de base e produtos metálicos e do comércio e serviços, seguindo-se as indústrias extrativas, as alimentares, as bebidas e tabaco, as indústrias da moda (têxtil, vestuário), as químicas e farmacêuticas, ou a borracha e os plásticos.



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